Uma substância utilizada para tornar plásticos mais flexíveis está associada a aproximadamente 2 milhões de partos prematuros registrados globalmente em 2018. Essa informação é parte de um estudo publicado na revista eClinicalMedicine, do grupo The Lancet, que analisou a exposição ao di-2-etilhexilftalato, conhecido como DEHP, um composto do grupo dos ftalatos. Os ftalatos são plastificantes que conferem flexibilidade, durabilidade e transparência ao plástico.
O levantamento estima que o DEHP pode ter contribuído para cerca de 1,97 milhão de nascimentos prematuros, o que equivale a 8,74% dos partos antes de 37 semanas de gestação naquele ano. O nascimento prematuro, definido como o parto antes de 37 semanas, é um dos principais desafios de saúde global. Em 2020, mais de 13 milhões de bebês nasceram prematuramente, representando mais de 1 em cada 10 nascidos vivos.
Além dos riscos imediatos, a prematuridade pode ter consequências duradouras. Bebês que nascem antes do tempo enfrentam maior risco de síndrome do desconforto respiratório, problemas no desenvolvimento neurológico e outras complicações de saúde ao longo da vida.
Os ftalatos são substâncias químicas sintéticas amplamente utilizadas como plastificantes. A exposição a esses compostos ocorre por ingestão, inalação ou absorção pela pele, especialmente através do contato com alimentos embalados e produtos de higiene. Eles são considerados desreguladores endócrinos, interferindo no funcionamento hormonal, o que é crucial durante a gestação para o desenvolvimento fetal e a manutenção de uma gravidez saudável.
Estudos anteriores já detectaram ftalatos em amostras de urina materna, líquido amniótico e sangue do cordão umbilical. Pesquisas toxicológicas indicam que esses compostos podem aumentar processos inflamatórios, alterar o desenvolvimento placentário e induzir estresse oxidativo no sistema reprodutivo, fatores associados ao parto prematuro.