Os mercados estão reagindo à possibilidade de um bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica que representa cerca de um quinto do petróleo bruto mundial. Desde o fim de fevereiro, a região está paralisada, o que pode resultar em perdas significativas para Teerã.
Na quarta-feira, uma fonte do governo americano informou que o presidente Donald Trump discutiu com representantes de empresas petrolíferas a possibilidade de prolongar o bloqueio por vários meses. Enquanto isso, o Irã mantém seu próprio bloqueio para navios petroleiros que tentam deixar a área.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, criticou a iniciativa americana, afirmando que é contrária às leis internacionais e não melhora a segurança regional, mas sim agrava as tensões no Golfo.
Informações do site Axios indicam que Trump deve receber um briefing sobre planos para uma possível ação militar no Irã, o que intensifica as incertezas no Oriente Médio e pode afetar o abastecimento global de petróleo.
Especialistas alertam que o Irã possui capacidade de armazenamento de petróleo para apenas alguns dias. Com o bloqueio, o país não consegue exportar seu petróleo bruto, resultando em um excesso de produção que precisa ser estocado.
Homayoun Falakshahi, chefe de Análise de Petróleo da Kpler, destacou que, se o bloqueio continuar, as receitas do Irã, atualmente entre US$ 5 e US$ 6 bilhões por mês, podem cair a zero. Ele enfatizou que o armazenamento do petróleo iraniano deve atingir um limite crítico em 20 dias.
O gestor da RBC BlueBay Asset Management, Anthony Kettle, observou que o mercado ainda não reflete completamente a deterioração potencial que um conflito prolongado no Oriente Médio pode causar.
Os efeitos do bloqueio já são visíveis nas bolsas asiáticas, com o índice Nikkei em queda de 1,05% e o Kospi recuando 1,38%. A moeda americana também se valorizou, enquanto a rúpia indiana atingiu um novo recorde de desvalorização frente ao dólar.