Search

Aquecimento Acelerado da Europa e Seus Fatores

Um relatório revela que a Europa está aquecendo mais rapidamente que outros continentes, com ondas de calor e perda de geleiras. Fatores como proximidade ao Ártico e mudanças meteorológicas contribuem para essa realid...
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

Em 2025, a Europa registrou ondas de calor extremas e incêndios florestais que devastaram a maior área já documentada no continente. O relatório Estado do Clima Europeu, elaborado por cerca de 100 cientistas e divulgado pela Organização Meteorológica Mundial e o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, destaca a perda de 139 bilhões de toneladas de massa de gelo na Groenlândia e uma cobertura de neve 31% abaixo da média.

Os impactos das mudanças climáticas são evidentes em todo o mundo, mas a Europa se destaca por estar aquecendo mais rapidamente. Desde a década de 1980, o continente tem registrado um aumento de temperatura superior ao dobro da média global, com um aquecimento de aproximadamente 0,56°C por década nos últimos 30 anos, segundo dados do observatório climático Copernicus.

Embora a temperatura média global continue a subir, a taxa de aquecimento varia entre as regiões. As altas latitudes do norte, especialmente no Ártico, na Europa Central e do Leste, e no Oriente Médio, estão aquecendo mais rapidamente. Isso se deve a fatores físicos relacionados às leis da termodinâmica, conforme explica o professor Paulo Artaxo, da USP.

Quatro fatores principais explicam o aquecimento acelerado da Europa, conforme o relatório: a proximidade com o Ártico, mudanças nos padrões meteorológicos, a diminuição da cobertura de neve e a redução da poluição do ar. A proximidade com o Ártico, onde as mudanças atmosféricas e a redução da neve são mais acentuadas, contribui significativamente para esse fenômeno.

Mudanças na circulação atmosférica têm resultado em ondas de calor mais frequentes e intensas, enquanto a diminuição da cobertura de neve reduz a radiação solar refletida de volta ao espaço, acelerando o aquecimento. Além disso, a diminuição das emissões de aerossóis nos últimos 40 anos melhorou a qualidade do ar, mas também contribuiu para o aquecimento ao permitir que mais radiação solar atinja a superfície.

O aquecimento acelerado na Europa não deve levar outros continentes a relaxar em suas ações climáticas. Globalmente, a temperatura média já aumentou 1,4ºC em relação aos níveis pré-industriais, resultando em efeitos severos em diversas regiões. A capacidade de adaptação climática local também desempenha um papel importante, com países europeus geralmente possuindo mais recursos para investir em medidas de adaptação.

O professor Paulo Artaxo destaca que, enquanto a Holanda tem investido há mais de 50 anos na elevação de diques para enfrentar o aumento do nível do mar, no Brasil, as discussões sobre estratégias de adaptação ao novo clima ainda estão em estágios iniciais. Ele alerta que todos os países sentirão os impactos das mudanças climáticas, mas de maneiras diferentes.

PUBLICIDADE

Mais recentes

PUBLICIDADE