Em meio a um conflito que já dura cinco anos, mulheres que legalmente não deveriam ser convocadas para o serviço militar na Ucrânia foram, por engano, registradas no sistema de mobilização. Esse erro resultou em notificações de multa e na classificação delas como 'procuradas' por suposto descumprimento de obrigações militares.
O problema surgiu no sistema 'Oberig', que integra o registro de recrutamento militar ao aplicativo Reserve+. Autoridades ucranianas confirmaram que um erro técnico fez com que dados de mulheres isentas fossem inseridos indevidamente no banco de dados militar, levando a um tratamento incorreto dessas informações.
As Forças Terrestres da Ucrânia reconheceram a falha e iniciaram uma investigação interna, identificando mais de 50 casos de inclusão incorreta. No Parlamento, surgiram propostas legislativas para criar mecanismos que garantam a exclusão de registros indevidos e responsabilizem funcionários por erros administrativos.
O Comissário do Parlamento Ucraniano para os Direitos Humanos confirmou que há indícios de inclusão errônea de mulheres no cadastro militar, mas ressaltou que não possui informações detalhadas sobre multas ou sanções, uma vez que a gestão do sistema é responsabilidade do Ministério da Defesa.
O Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que o problema não é sistêmico, mas resultado de falhas isoladas. A pasta informou que o processo de remoção dos registros indevidos está previsto para ser concluído até o final de abril e que medidas corretivas estão em andamento.
Apesar das notificações de multa, o governo garantiu que não há consequências jurídicas para as mulheres afetadas. A imposição de penalidades depende de decisões de autoridades locais de recrutamento, que não se aplicam a esses casos, já que as mulheres não deveriam estar registradas.
Esse episódio ocorre em um momento crítico do conflito, com o presidente Volodymyr Zelensky alertando sobre o desgaste das forças ucranianas e a necessidade de reforçar a defesa. A legislação ucraniana estabelece que o serviço militar feminino não é obrigatório, exceto para mulheres com formação médica ou farmacêutica, que devem se registrar para mobilização.