O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) tem se tornado uma preocupação crescente, especialmente entre a população idosa. Dados recentes indicam que, no primeiro trimestre deste ano, 18% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com identificação viral confirmada foram atribuídos ao VSR, uma infecção que ainda é pouco conhecida.
As estatísticas mostram um aumento no número de casos, com o VSR representando 14% dos casos de síndrome respiratória confirmados entre fevereiro e março, subindo para 19,9% de março a abril. Em 2025, o VSR foi o vírus mais prevalente por 23 semanas consecutivas.
Dados de laboratórios privados revelam que, na semana encerrada em 4 de abril, 38% dos testes positivos para vírus identificaram o VSR, um aumento significativo em relação ao mês anterior. Especialistas, como a pneumologista Rosemeri Maurici, afirmam que esses números são apenas "a ponta do iceberg", subestimando o risco que o VSR representa, especialmente para adultos e idosos.
A testagem para o VSR no Brasil começou a ser realizada em maior escala apenas durante a pandemia de covid-19, o que dificulta a avaliação do impacto real da infecção. Maurici destaca que muitos pacientes internados com SRAG não têm o agente causador identificado, o que pode levar a subnotificações.
Embora a maioria dos casos graves de infecção por VSR ocorra em crianças menores de dois anos, a carga viral em adultos diminui rapidamente, dificultando a detecção. Isso contribui para a percepção equivocada de que o VSR não afeta os adultos.
Os dados sobre mortes relacionadas ao VSR revelam uma preocupação maior entre os idosos. Em 2023, foram registradas 27 mortes, sendo 17 em crianças e sete em idosos com 65 anos ou mais. A geriatra Maisa Kairalla explica que o envelhecimento e as comorbidades aumentam a vulnerabilidade dos idosos a infecções.
Estudos indicam que pacientes idosos com VSR têm 2,7 vezes mais chances de desenvolver pneumonia e duas vezes mais chances de necessitar de UTI ou intubação em comparação com a influenza. O cardiologista Múcio Tavares acrescenta que mais de 60% dos casos graves de infecção por VSR ocorrem em pacientes com doenças cardiovasculares.
Além disso, pacientes com diabetes e doenças respiratórias crônicas, como asma e DPOC, estão em risco elevado. A pneumologista Maurici alerta que a internação em UTI aumenta em 70% a probabilidade de morte em até três anos para esses pacientes.
Embora a vacinação possa prevenir o agravamento da infecção por VSR, atualmente, os imunizantes para adultos estão disponíveis apenas na rede privada. O Programa Nacional de Imunizações oferece vacina apenas para gestantes, visando proteger os bebês nos primeiros meses de vida.
A imunização é recomendada para pessoas de 50 a 69 anos com comorbidades e para todos os idosos a partir dos 70 anos. A professora Rosemeri Maurici sugere que as sociedades médicas indiquem grupos prioritários para a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, visando a adoção de novas terapias.