Neste domingo, os eleitores peruanos se dirigem às urnas para eleger um novo presidente, em uma eleição que registra um número recorde de 35 candidatos. Esse cenário fragmentado reflete a instabilidade política que o país enfrenta nos últimos anos.
O sistema político peruano é uma combinação peculiar de presidencialismo e parlamentarismo. Quando um presidente possui maioria no Parlamento, como ocorreu entre 2000 e 2016 com Alejandro Toledo, Ollanta Humala e Alan García, a governabilidade é mais tranquila.
No entanto, a partir de 2015, diversos escândalos de corrupção começaram a afetar os principais partidos políticos. Os ex-presidentes Toledo, Humala e García foram implicados no caso Odebrecht. Toledo fugiu para os Estados Unidos e foi extraditado, Humala está preso, e García cometeu suicídio ao ser abordado pela polícia.
Em 2016, Pedro Pablo Kuczynski assumiu a presidência sem ter maioria parlamentar, o que deu início a uma fragmentação política que persiste até hoje. Kuczynski foi destituído em 2018, e seu vice também enfrentou a mesma situação.
A eleição de 2021 trouxe Pedro Castillo ao poder, que, após um ano, tentou um autogolpe, mas foi destituído e preso. Sua vice, Dina Boluarte, assumiu, mas sem apoio parlamentar, foi destituída no ano passado. José Jerí e, atualmente, José María Balcázar, governam interinamente.
A instabilidade política no Peru parece longe de ser resolvida, e as eleições deste domingo não indicam uma mudança significativa nesse panorama.