As tratativas de paz entre Estados Unidos e Irã têm início oficial em Islamabad, capital do Paquistão, em um contexto que revela a urgência diplomática e a fragilidade de um conflito que já resultou em milhares de mortes e alterou o equilíbrio geopolítico no Oriente Médio. O encontro, que ocorre de forma presencial, busca reconstruir canais de diálogo em meio a desconfiança, pressões militares e um cessar-fogo instável.
A cidade paquistanesa foi transformada em um centro de diplomacia global, com áreas isoladas e comércio suspenso para garantir a segurança do encontro. A delegação dos EUA é liderada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado por Steve Witkoff e Jared Kushner. Do lado iraniano, participam o chanceler Abbas Araghchi, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e outros altos funcionários.
O Paquistão tem atuado como mediador desde o início do conflito, com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif enfatizando a importância das negociações. Ele descreveu o momento como decisivo e pediu orações para o sucesso das conversas, que visam salvar vidas e promover a paz.
As negociações ocorrem sob um cessar-fogo considerado frágil, com divergências sobre seu alcance. Embora o Paquistão tenha anunciado um entendimento inicial, EUA e Israel contestaram a abrangência do acordo. A continuidade dos ataques no Líbano, que resultaram em mais de 300 mortes, aumentou a desconfiança de Teerã e o risco de colapso do cessar-fogo.
Israel concordou em participar de uma reunião na próxima semana, mediada pelos EUA, para discutir um possível cessar-fogo. Os impasses nas negociações são significativos, com o Irã exigindo mudanças na presença militar dos EUA na região e maior controle sobre o Estreito de Ormuz, enquanto o governo Trump pressiona por restrições ao programa nuclear iraniano.
A questão do Líbano se tornou um ponto de tensão, com o Irã insistindo na inclusão de aliados no acordo, enquanto EUA e Israel defendem que o pacto deve se limitar ao confronto direto entre os dois países.