Um trabalhador foi condenado a receber indenização por danos morais após ser alvo de perseguição política no ambiente de trabalho, devido ao seu voto em Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022. Além de ofensas, o empregado ficou cinco meses sem receber salário.
A Justiça do Trabalho do Ceará determinou que o empresário pagasse todas as verbas trabalhistas devidas, totalizando R$ 201 mil, incluindo uma indenização de R$ 10 mil por danos morais. O trabalhador, que atuava como auxiliar de limpeza em uma empresa farmacêutica, relatou que, na prática, realizava tarefas domésticas na residência do empregador.
Contratado em 2002, o funcionário teve a carteira assinada apenas em 2014 e deixou de receber salários entre dezembro de 2023 e abril de 2024. Ao cobrar os valores atrasados, enfrentava hostilidade, com o patrão sugerindo que ele pedisse ajuda a Lula para receber o que lhe era devido.
O empregador associava as dificuldades financeiras do trabalhador à sua escolha política. Em um episódio, afirmou que um assalto sofrido pelo filho do funcionário era 'merecido' por conta do voto da família. Durante o julgamento, o empresário reconheceu o comportamento discriminatório e admitiu que o funcionário trabalhava além da jornada permitida.
A juíza responsável pela sentença de primeira instância, proferida em maio de 2025, considerou as acusações graves e determinou o pagamento de R$ 201 mil, incluindo indenização por danos morais, salários atrasados, 13º salário, horas extras, férias e depósitos do FGTS com multa de 40%. O empresário recorreu, mas o Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região manteve a condenação por unanimidade.