O Conselho de Segurança da ONU está prestes a votar uma resolução proposta pelo Bahrein, que visa proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz. No entanto, a proposta enfrenta forte resistência de China, Rússia e França, que possuem poder de veto e se opõem à autorização de qualquer uso da força.
De acordo com informações do The New York Times, esses países frustraram os esforços dos Estados árabes para obter a aprovação do Conselho para uma ação militar contra o Irã, rejeitando qualquer linguagem que permita o uso da força para reabrir a rota marítima. A votação, inicialmente marcada para sexta-feira, foi adiada para sábado devido a um feriado na ONU.
Os preços do petróleo aumentaram significativamente desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã no final de fevereiro, resultando em um conflito que já dura mais de um mês e praticamente fechou a principal rota de navegação da região.
O Bahrein, que atualmente preside o Conselho, elaborou um projeto de resolução que permitiria o uso de "todos os meios defensivos necessários" para proteger a navegação comercial, com validade de pelo menos seis meses. Contudo, a proposta enfrenta forte oposição, especialmente do enviado da China à ONU, Fu Cong, que argumentou que a autorização do uso da força poderia legitimar ações ilegais e levar a uma escalada do conflito.
Fontes diplomáticas indicam que uma versão anterior do texto teve o chamado "procedimento de silêncio
quebrado por China, França e Rússia, sinalizando sua oposição. Esses países também pressionaram para a remoção de trechos mais rigorosos da proposta, que permitiriam o uso de
todos os meios necessários" para garantir a passagem e impedir bloqueios no estreito.
Uma resolução do Conselho de Segurança requer pelo menos nove votos favoráveis e não pode ser vetada por nenhum dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China. O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, afirmou que a "tentativa ilegal e injustificada
do Irã de controlar a navegação representa uma ameaça aos interesses globais e exige uma
resposta decisiva".
O Irã, por sua vez, manifestou a intenção de manter a supervisão do tráfego no Estreito de Ormuz, mesmo após o término do conflito. O bloqueio dessa via, que é responsável por cerca de um quinto do petróleo e gás mundial, já causou impactos significativos na economia global, elevando os custos de energia, transporte e seguros.
Analistas sugerem que a resolução liderada pelo Bahrein possui mais peso simbólico do que prático, considerando a capacidade militar limitada dos países do Golfo e sua dependência do apoio dos Estados Unidos. O presidente francês, Emmanuel Macron, também criticou a proposta de reabertura do estreito pela força, classificando-a como "irrealista" e alertando sobre os riscos de ataques e a presença de mísseis iranianos na região.
Enquanto isso, os Estados Unidos afirmam que continuarão os ataques, mas ainda não apresentaram um plano claro para reabrir o estreito, o que tem contribuído para novas altas nos preços do petróleo e gerado preocupações sobre a segurança da navegação internacional.