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Cobertura Arbórea Reduz Risco de Doenças Cardiovasculares

Um estudo revela que viver em áreas urbanas com mais árvores pode diminuir em 4% o risco de doenças cardiovasculares, enquanto outras vegetações estão associadas a maiores riscos.
Foto: rua arborizada - Metrópoles

A pesquisa publicada na revista Environmental Epidemiology indica que residir em regiões com maior cobertura arbórea está ligado a uma redução de 4% no risco de doenças cardiovasculares. Em contraste, áreas com vegetação como grama e arbustos estão associadas a um aumento na probabilidade desses problemas.

O estudo, que analisou 350 milhões de imagens de ruas nos EUA, envolveu a avaliação de cerca de 89 mil mulheres ao longo de quase duas décadas. Diferentemente de investigações anteriores que usaram índices gerais de vegetação, os pesquisadores conseguiram distinguir tipos específicos de cobertura vegetal, como copas de árvores e gramados.

Embora a análise tenha identificado uma associação positiva entre árvores e saúde cardiovascular, isso não implica uma relação direta de causa e efeito. Lis Leão, líder do grupo de pesquisa e-Natureza, do Centro de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, destaca que

não conhecemos todas as características associadas às imagens de street view analisadas

.

Outros fatores, como a dependência de automóveis em bairros com gramados, podem contribuir para hábitos mais sedentários. Além disso, a pesquisa sugere que o uso de pesticidas e características do desenho urbano podem influenciar os resultados, embora não tenham sido medidos diretamente.

As árvores estão associadas a benefícios indiretos à saúde cardiovascular, como a redução da poluição do ar e do ruído, além de promover a prática de atividades físicas e a convivência social. Leão explica que ambientes naturais podem modular o sistema nervoso autônomo, reduzindo a ativação simpática crônica, que está ligada ao risco cardiovascular.

A relação entre natureza e saúde é estudada há décadas. A Teoria da Recuperação do Estresse, proposta por Roger Ulrich nos anos 1980, já indicava que observar paisagens naturais poderia acelerar a recuperação após cirurgias. No entanto, para manter uma boa saúde, é essencial também ter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios, dormir bem e gerenciar o estresse.

Lis Leão sugere que cidades mais arborizadas podem ser uma estratégia eficaz para promover a saúde, e que no futuro, o contato com a natureza poderá ser recomendado como parte das orientações de saúde, assim como a prática regular de atividades físicas.

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