Poucos dias antes do início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, Volodymyr Zelensky anunciou a reabertura das exportações de armas ucranianas. Com a crise no Oriente Médio sem solução diplomática à vista, o presidente ucraniano identificou uma oportunidade para expandir negócios e estabelecer acordos que tragam benefícios financeiros e diplomáticos para a Ucrânia, especialmente após a interrupção das negociações sobre o conflito no Leste Europeu desde fevereiro, quando a guerra no Irã começou.
Nos primeiros meses do conflito com a Rússia, o governo da Ucrânia intensificou a produção de drones, visando utilizar equipamentos de custo mais acessível em comparação às armas tradicionais. Desde então, mais de 500 empresas dedicadas à fabricação de drones e sistemas anti-drones foram estabelecidas no país. O sucesso dessa iniciativa levou à criação, em 2024, de uma unidade específica nas Forças Armadas da Ucrânia, chamada Forças de Sistemas Não Tripulados (USF), focada em operações com drones.
Além de fortalecer a defesa nacional, Zelensky percebeu nos drones uma oportunidade para arrecadar fundos por meio de exportações e parcerias comerciais. A dívida pública externa da Ucrânia, impulsionada pelos gastos com a guerra, já ultrapassa os US$ 115 bilhões. As exportações de armas estavam suspensas desde 2022, quando o conflito no Leste Europeu teve início, para garantir que todos os esforços fossem direcionados à defesa contra a Rússia. Em 8 de fevereiro, o presidente anunciou a liberação de licenças para alguns fabricantes de armas e a abertura de 10 centros de exportação de armamentos na Europa, incluindo uma instalação na Alemanha.
A experiência ucraniana com veículos não tripulados, que se tornaram essenciais na guerra contra a Rússia, é agora um trunfo que Zelensky busca negociar com países do Oriente Médio, que enfrentam retaliações do Irã. Desde o início dos ataques dos EUA e Israel, o Irã tem utilizado drones para atacar instalações ligadas a esses países na região, especialmente em nações do Golfo Pérsico onde os norte-americanos mantêm bases militares. Em resposta, Zelensky enviou uma delegação ucraniana para negociações com países do Oriente Médio, a pedido do governo dos EUA, que solicitou apoio da Ucrânia para proteção contra os drones iranianos.