O governo de Donald Trump está considerando o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, como um potencial parceiro para negociações que visem encerrar o conflito, buscando um líder iraniano mais alinhado aos interesses americanos. A informação foi divulgada pelo site Politico, que conversou com autoridades da administração republicana, embora não tenha revelado seus nomes.
Ghalibaf é visto como uma das principais lideranças que Washington considera para esse papel, apesar de não ser a única opção. Ele tem reforçado a retórica da República Islâmica, que inclui retaliações e ameaças aos Estados Unidos e seus aliados. A busca por Ghalibaf indica uma possível mudança na política da Casa Branca em relação ao conflito, especialmente à medida que se tornam evidentes os limites da ação militar para derrubar o regime em Teerã.
Ex-prefeito de Teerã e presidente do Parlamento desde 2020, Ghalibaf negou qualquer negociação com os EUA, classificando os relatos como 'fake news' destinadas a manipular os mercados financeiro e de petróleo. Em uma declaração recente, Trump anunciou um adiamento de cinco dias nos ataques prometidos à infraestrutura energética iraniana, caso o país não atenda suas demandas, especialmente em relação ao estreito de Hormuz, crucial para o comércio global de petróleo.
O recuo de Trump também foi acompanhado pela afirmação de que a Casa Branca estava em negociações com autoridades iranianas, algo que foi negado pela chancelaria de Teerã. A chancelaria confirmou ter recebido propostas de terceiros, mas se recusa a participar de negociações que não sejam diretas, exigindo o fim dos ataques e a manutenção de sua soberania.
A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que as discussões são diplomáticas e que os EUA não negociariam através da imprensa. Uma das autoridades consultadas pelo Politico indicou que Trump evita ataques mais intensos à produção de petróleo do Irã, especialmente à ilha de Kharg, na expectativa de encontrar um interlocutor dentro do regime, semelhante ao que ocorreu com a vice-líder da Venezuela, Delcy Rodríguez.
Outra fonte, de um país do Golfo Pérsico, sugeriu que Trump está apenas tentando ganhar tempo e estabilizar os mercados com o adiamento do ultimato. Trump também comentou que não houve contato com o líder supremo, Mojtaba Khamenei, e expressou ceticismo sobre sua liderança. Ele mencionou um acordo de 15 pontos em discussão, que inclui a renúncia do Irã a armas nucleares, uma exigência que Teerã rejeita.
A agência iraniana Mehr relatou que a chancelaria do Irã acredita que Trump busca apenas ganhar tempo para sua campanha militar e aliviar a pressão no mercado de petróleo, reiterando que Teerã só aceitará propostas diretas dos Estados Unidos.