Um novo acordo comercial entre a Austrália e a União Europeia foi assinado, encerrando anos de negociações. O pacto, que ocorreu em meio a um cenário de tensões comerciais globais, busca diversificar os mercados de exportação da Europa e fortalecer laços além de seus parceiros tradicionais.
As conversas entre as partes começaram em 2018, mas ganharam impulso recente devido a tarifas impostas pelos Estados Unidos. O acordo também reflete a intenção da UE de diminuir sua dependência da China, especialmente em relação a minerais críticos, setor que tem enfrentado controles de exportação por parte de Pequim.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, destacaram a importância do acordo. Von der Leyen afirmou que, apesar da distância geográfica, as visões de mundo da UE e da Austrália estão alinhadas. Ela enfatizou que as novas parcerias em segurança, defesa e comércio aproximam ainda mais os dois blocos.
Com a implementação do acordo, mais de 99% das tarifas sobre exportações de bens da UE para a Austrália serão eliminadas, resultando em uma economia de cerca de um bilhão de euros por ano para as empresas. As tarifas sobre importações de minerais críticos também serão reduzidas.
No setor de serviços, a UE terá acesso ampliado a telecomunicações e serviços financeiros. No que diz respeito à agricultura, as tarifas australianas para vinhos, espumantes, frutas, vegetais e chocolates cairão a zero imediatamente, enquanto as tarifas para queijos serão eliminadas ao longo de três anos.
Além disso, a UE abrirá duas cotas tarifárias para carne bovina, totalizando 30.600 toneladas, com aproximadamente 55% desse volume entrando isento de tarifas. As negociações anteriores haviam falhado em 2023 devido a divergências sobre cotas de importação de carne e proteções ao setor agrícola.
O comércio entre a Austrália e a UE é significativo, com exportações da UE para a Austrália alcançando 37 bilhões de euros em bens e 28 bilhões de euros em serviços. Em 2024, a UE foi o terceiro maior parceiro comercial bilateral da Austrália e a segunda maior fonte de investimento estrangeiro no país.