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História Política de Bayeux: Prefeitos e Crises desde 1989

Arte: Carlos Lyra A história política de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, é marcada por intensas disputas eleitorais, mandatos interrompidos por decisões judiciais e a presença de lideranças que moldara.....
Foto: Polemicaparaiba

Arte: Carlos Lyra

A história política de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, é marcada por intensas disputas eleitorais, mandatos interrompidos por decisões judiciais e a presença de lideranças que moldaram o cenário administrativo do município ao longo das últimas décadas. Desde 1989, a cidade vivenciou períodos de estabilidade, mas também momentos de forte instabilidade institucional.

A alternância de poder em Bayeux não se limitou ao voto popular. Em diversos momentos, o Judiciário teve papel decisivo, afastando gestores, determinando cassações e conduzindo mudanças na chefia do Executivo municipal. O cenário revela um município onde a política local se entrelaça com embates jurídicos e rearranjos de grupos políticos.

De lideranças tradicionais a figuras que saíram da Câmara Municipal, Bayeux construiu uma linha sucessória marcada por episódios emblemáticos, que ajudam a compreender os desafios administrativos enfrentados pela cidade ao longo dos últimos 35 anos.

A influência histórica e a transição nos anos 1990

Antes mesmo de 1989, o nome de Lourival Caetano já era sinônimo de força política em Bayeux. Eleito prefeito em diferentes períodos (1964-1968 e 1973-1976), além de ter exercido mandato de vereador e deputado estadual, Lourival consolidou uma liderança duradoura. Sua morte, em 1992, marcou o fim de uma era e abriu espaço para novas disputas pelo comando do município.

Na eleição de 1992, Sebastião Félix de Morais venceu o pleito pelo PDS, governando entre 1993 e 1996 após uma disputa acirrada. No mesmo período, destacou-se a ascensão de Expedito Pereira, médico que chegou à cidade nos anos 1960, vindo de Bonito de Santa Fé. Com forte atuação comunitária e religiosa, Expedito assumiu a prefeitura após a morte de Lourival Caetano, sendo posteriormente eleito em 1996 e reeleito em 2000. Filiado ao PSB, consolidou múltiplos mandatos, permanecendo como uma das figuras mais longevas da política local até 2016.

Anos 2000: alternância e condenações

Em 2002, Sara Cabral assumiu a gestão municipal. Anos depois, enfrentou condenações por improbidade administrativa, com suspensão dos direitos políticos por cinco anos e determinação de devolução de recursos públicos. Também foram apontadas irregularidades relacionadas ao programa Bolsa Família.

Em 2004, o radialista e jornalista Jota Júnior (Josival de Sousa Júnior), natural de Campina Grande, foi eleito prefeito. Reeleito em 2008 com 54,9% dos votos, destacou-se pelo carisma e pela forte presença midiática. Após deixar a prefeitura, atuou como apresentador na TV Correio. Faleceu em 2017, em Belo Horizonte.

Crises políticas e sucessivos afastamentos

A eleição de 2016 marcou o início de um período de forte turbulência política. Berg Lima (Gutemberg de Lima Davi) venceu o pleito com 33.437 votos, mas foi preso em 2017 sob acusação de corrupção. Embora tenha reassumido o cargo em 2018, voltou a ser afastado em 2020 e tornou-se réu por desvio de rendas públicas.

Com o afastamento de Berg, o vice-prefeito Luiz Antônio Alvino assumiu o comando da cidade em 2017. No entanto, também enfrentou investigações por improbidade administrativa e crimes apurados pelo Gaeco, sendo afastado e posteriormente condenado em ações civis.

Durante esse período, a prefeitura passou por gestões interinas. Noquinha (Mauri Batista da Silva), então presidente da Câmara, assumiu por 180 dias em 2018. Já Jeferson Kita (Jefferson Luis), vereador por dois mandatos e ex-presidente da Câmara, também ocupou o cargo de forma interina em 2020, com contas aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado.

Cassações e nova configuração política

Em 2020, Luciene Gomes foi eleita prefeita pelo PSD. Sua gestão foi marcada por sucessivas decisões judiciais que determinaram a cassação de seu mandato por abuso de poder político e econômico em 2022 e 2023. Contudo, recursos junto ao Tribunal Regional Eleitoral garantiram sua permanência no cargo. Em 2026, rompeu politicamente com o grupo liderado por Tacyana Leitão, ampliando as divisões internas no cenário local.

A eleição de 2024 trouxe uma nova configuração. Tacyana Leitão (Tarcyanna Macedo Mota Leitão), então com 44 anos, foi eleita pelo PSB com 52,59% dos votos, totalizando 28.090 sufrágios, pela coligação “Pra Fazer Bayeux Acontecer”. Desde 2025, ela ocupa o cargo de prefeita, representando uma nova etapa na administração municipal.

Confira a lista Cronológica de Prefeitos

Prefeito(a)Período de GestãoLourival Caetano01/01/1989 – 24/07/1992Expedito Pereira24/07/1992 – 31/12/1992Sebastião Félix de Morais01/01/1993 – 31/12/1996Expedito Pereira01/01/1997 – 13/05/2002Sara Cabral14/05/2002 – 31/12/2004Jota Júnior01/01/2005 – 31/12/2012Expedito Pereira01/01/2013 – 31/12/2016Berg Lima01/01/2017 – 05/07/2017; 19/12/2018 – 20/05/2020 Luiz Antônio Alvino06/07/2017 – 21/03/2018Noquinha (Mauri Batista)21/03/2018 – 18/12/2018Jeferson Kita21/05/2020 – 19/08/2020Luciene Gomes20/08/2020 – 31/12/2024Tacyana Leitão01/01/2025 – Atualidade

Perfis dos gestores

Lourival Caetano: Político dominante em Bayeux por décadas antes de 1989, eleito várias vezes (1964-1968, 1973-1976), vereador e deputado estadual; morreu em 1992, abrindo espaço para sucessores.

Expedito Pereira: Médico chegado à cidade nos anos 1960 de Bonito de Santa Fé, ativista católico, secretário de Saúde em Santa Rita; assumiu após morte de Caetano em 1992, eleito em 1996 e 2000, com múltiplos mandatos até 2016; filiou-se a PSB.

Sebastião Félix de Morais: Eleito em 1992 pelo PDS com vice Raimundo Furtado, vencendo disputas acirradas; governou 1993-1996 após eleição direta.

Sara Cabral: Assumiu em 2002; condenada por improbidade administrativa, com suspensão de direitos políticos por 5 anos em 2014 e devolução de R$64 mil; também irregularidades no Bolsa Família (R$24 mil em 2021).

Jota Júnior (Josival de Sousa Júnior): Radialista e jornalista de Campina Grande (1965-2017), eleito em 2004 e reeleito em 2008 com 54,9%; carismático, depois apresentador na TV Correio; morreu em Belo Horizonte.

Berg Lima (Gutemberg de Lima Davi): Eleito em 2016 com 33.437 votos; preso por corrupção em 2017, reassumiu em 2018, afastado novamente em 2020; réu por desvio de rendas públicas.

Luiz Antônio Alvino: Vice de Berg, assumiu em 2017; afastado pelo TJPB, investigado por improbidade e crimes pelo Gaeco; condenado em ações civis.

Noquinha (Mauri Batista da Silva): Vereador (nascido em 1974 em Santa Rita, fundamental incompleto); presidente da Câmara, assumiu interinamente em 2018 por 180 dias após afastamento de Alvino.

Jeferson Kita (Jefferson Luis): Vereador por dois mandatos, ex-presidente da Câmara; prefeito interino em 2020 com contas aprovadas pelo TCE; recentemente secretário de Infraestrutura até romper com Tacyana em 2026.

Luciene Gomes: Eleita em 2020 pelo PSD; mandatos cassados múltiplas vezes por abuso de poder (2022, 2023), mas mantida por recursos no TRE; rompeu com grupo de Tacyana em 2026 por divergências.

Tacyana Leitão (Tarcyanna Macedo Mota Leitão): 44 anos em 2024, casada, superior incompleto; eleita em 2024 com 52,59% dos votos (28.090) pelo PSB na coligação “Pra Fazer Bayeux Acontecer”; prefeita atual desde 2025.

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