O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, expressou preocupações sobre a visita de Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos, ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso. Vieira afirmou que essa visita pode ser interpretada como uma "indevida ingerência" nos assuntos internos do Brasil.
Essa declaração foi feita em um ofício enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que está analisando um pedido para que Beattie se encontre com Bolsonaro. O chanceler destacou que a visita de um funcionário estrangeiro a um ex-presidente em ano eleitoral levanta questões sobre a soberania nacional.
Moraes havia solicitado ao Itamaraty informações sobre a agenda diplomática de Beattie no Brasil e a possibilidade de sua visita a Bolsonaro. De acordo com Vieira, a embaixada dos Estados Unidos informou que Beattie está no Brasil para participar do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, programado para a próxima quarta-feira (18).
O ministro também ressaltou que a embaixada não mencionou visitas fora da agenda oficial.
O pedido de visita ao ex-presidente não se enquadra nos objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado — afirmou Vieira.
Além disso, Vieira mencionou que uma reunião entre Beattie e o secretário de Europa e América do Norte do Itamaraty foi solicitada para terça-feira (17), embora ainda não esteja confirmada. A defesa de Bolsonaro, por sua vez, pediu que a visita ocorra na próxima segunda-feira (16) ou na terça-feira (17), quando Beattie estará no Brasil.
Embora Moraes tenha autorizado a visita, ele determinou que o encontro com Bolsonaro deve ocorrer na quarta-feira (18). Após essa decisão, a defesa de Bolsonaro reiterou o pedido para que a visita ocorra nas datas sugeridas.
Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos e três meses de prisão por sua participação em uma trama golpista, atualmente detido no 19° Batalhão da Polícia Militar, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, conhecido por abrigar presos especiais.