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Investigação revela rede internacional de compartilhamento de vídeos de abuso sexual

Uma investigação da CNN revelou uma rede global onde homens compartilham vídeos de mulheres dopadas e violentadas. O caso destaca a normalização da violência sexual em ambientes digitais.
Foto: G1

Uma recente investigação da CNN trouxe à tona uma rede internacional de homens que compartilham vídeos e fotos de mulheres dopadas, inconscientes ou sedadas, filmadas e violentadas sem seu consentimento. Este caso, que remete à história de Gisèle Pelicot, evidencia que os agressores são homens comuns que se organizam em fóruns, grupos privados e sites pornográficos.

O material é disseminado em plataformas como o site Motherless, que, segundo a CNN, recebeu 62 milhões de visitas em fevereiro e abriga mais de vinte mil vídeos de mulheres dormindo ou sedadas. A magnitude do fenômeno levanta a questão sobre quantas mulheres podem ter sido vítimas sem saber.

A história de Gisèle Pelicot, que foi violentada pelo marido e por outros homens, ganhou notoriedade por ilustrar que os agressores podem ser de qualquer idade ou profissão. A investigação, iniciada por jornalistas alemãs e aprofundada pela CNN, confirma que o caso de Pelicot não é isolado.

Os jornalistas se infiltraram em grupos de chat onde homens discutem métodos de dopagem e filmagem de parceiras sem que elas percebam. O anonimato e a sensação de 'fraternidade masculina' nesses espaços dificultam a desarticulação do sistema.

Além dos vídeos, a investigação revelou canais que ensinam métodos de dopagem, como um chamado 'Zzz', onde homens trocam informações sobre substâncias para 'submissão química'. Um participante chegou a afirmar que 'sua mulher não vai notar nada e não vai lembrar de nada', enquanto oferecia sedativos para venda.

A CNN identificou vítimas em várias regiões, incluindo Zoe Watts, da Inglaterra, que descobriu que seu marido usava soníferos do filho para dopá-la. Na Itália, uma mulher chamada Valentina encontrou vídeos gravados pelo marido, mostrando-a sendo agredida após ser dopada.

Na França, duas associações, a Fondation des Femmes e a M’endors pas, anunciaram planos de acionar a justiça, afirmando que 'delitos organizados incentivam e estruturam a violência'. Elas pedem uma investigação preliminar, dada a probabilidade de usuários franceses estarem envolvidos.

As organizações também solicitaram a intervenção da Arcom e da plataforma Pharos para bloquear e retirar conteúdos ilícitos relacionados ao Motherless e outros sites. Elas defendem a criação de uma lei contra a violência sexista e sexual, ressaltando a urgência de políticas públicas para lidar com crimes organizados no ambiente digital.

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