O deputado estadual Walber Virgolino (PL) abordou, em entrevista, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que busca eliminar a escala 6×1 e reduzir a jornada semanal de trabalho no Brasil. O tema ganhou destaque após articulações de partidos do centrão na Câmara dos Deputados, especialmente sobre o prazo de transição para as novas regras trabalhistas.
Virgolino enfatizou que a discussão deve ser liderada pelo Congresso Nacional, ressaltando que apenas deputados federais e senadores têm a legitimidade para tratar do assunto.
Eu sou deputado estadual, então não participo diretamente dessa discussão — afirmou.
Apesar de sua posição, o deputado expressou a necessidade de avançar na pauta, considerando o desgaste enfrentado pelos trabalhadores.
O trabalhador está sufocado na sua escala de trabalho, e isso precisa ser aliviado. O PT apresentou uma proposta, o PL apresentou outra. As duas são efetivamente boas para os trabalhadores — declarou.
Virgolino também pediu um entendimento entre os blocos políticos para a aprovação da proposta.
Espero que se chegue a um consenso, a um meio-termo, e que isso seja aprovado de forma rápida para que a gente consiga tratar o trabalhador com dignidade, sem sufocar economicamente o empresário — completou.
A declaração do deputado ocorreu após a comissão especial da Câmara aprovar, por 34 votos a 4, o parecer da PEC que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. O texto, relatado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA), ainda precisa ser analisado pelo plenário da Câmara antes de seguir para o Senado.
A proposta prevê uma transição gradual de até 14 meses, manutenção dos salários e dois dias de descanso semanal. Durante a sessão, parlamentares da oposição criticaram a medida. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) sugeriu uma escala 4×3, enquanto Gilson Marques (Novo-SC) alertou que a mudança pode impactar pequenos empresários.
Erika Hilton (PSOL-SP), autora de uma das PECs em discussão, acusou a oposição de tentar dificultar o fim da escala 6×1. A tramitação da proposta teve o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).