O Parque Nacional de Tayrona, na Colômbia, é conhecido por suas águas cristalinas e paisagens deslumbrantes, mas por trás de sua beleza, a violência paramilitar assola a região, deixando comerciantes e povos indígenas em constante temor.
Na Sierra Nevada de Santa Marta, turistas desfrutam do local sem perceber a presença de esquadrões camuflados que extorquem os comércios locais e aterrorizam as comunidades originárias, cujos conhecimentos ancestrais são reconhecidos pela Unesco como Patrimônio da Humanidade.
"Temos medo, angústia pelo futuro
, afirma Atanasio Moscote, governador do povo kogui, referindo-se à situação alarmante na reserva que consideram
o coração do mundo".
As Autodefesas Conquistadoras da Sierra Nevada (ACSN), um grupo paramilitar, controla as rotas do narcotráfico na região, impondo seu domínio sobre o território e a população local.
Em resposta à crescente violência, o presidente Gustavo Petro decidiu fechar o Parque Tayrona por mais de duas semanas, justificando a medida pelas extorsões, bloqueios de estradas e ameaças contra os guardas-parques.
Os guardas-parques, como Yeiner Hernández, ressaltam a importância de sua presença para a conservação dos recursos naturais, apesar das advertências que recebem por seu trabalho.
O Parque Tayrona, que abriga a floresta seca mais bem conservada do país e ricos ecossistemas marinhos, recebeu mais de 873.000 visitantes em 2025. A região é também lar de comunidades indígenas como arhuacos e koguis.
Historicamente, a região tem sido alvo de grupos criminosos, incluindo a extinta guerrilha das Farc, devido à sua localização estratégica. Atualmente, a violência se intensificou com a atuação dos 'Conquistadores', que aterrorizam as comunidades nativas.
Além disso, o Clã do Golfo, um dos principais cartéis de narcotráfico, tem buscado controlar a serra, resultando em combates próximos às comunidades indígenas.
O governo de Petro incluiu as ACSN em sua política de 'paz total', mas as negociações não avançaram, e a violência aumentou com a aproximação do fim de seu mandato.
Pesquisadores afirmam que as ACSN exercem controle territorial por meio de uma governança armada e exploram ilegalmente recursos naturais, afetando a vida cotidiana das comunidades e a reputação do turismo na região.
Ómar García, presidente da associação hoteleira em Santa Marta, destaca que a violência impacta negativamente o número de visitantes, comparando a situação a destinos em conflito.