Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, admitiu sua derrota nas eleições parlamentares, encerrando um ciclo de 20 anos à frente do país. Ele governou em quatro mandatos, sendo um deles entre 1998 e 2002, e os outros três consecutivos de 2010 a 2026. Com 62 anos, Orbán é uma figura proeminente da extrema-direita global, conhecido por suas visões conservadoras, nacionalistas e anti-imigração.
Formado em direito pela Universidade Eötvös Loránd, em Budapeste, Orbán ingressou na política durante as Revoluções de 1989. Em 1990, após a transição da Hungria para uma democracia multipartidária, foi eleito para a Assembleia Nacional e liderou a bancada do Fidesz. Seu governo é marcado por um afastamento da União Europeia, uma aproximação com a Rússia e restrições à liberdade de imprensa.
Durante seu tempo no poder, houve uma deterioração das instituições democráticas, especialmente na mídia, onde Orbán e aliados adquiriram a maioria dos veículos independentes, rotulando-os como propagadores de fake news. Ele também foi criticado por aumentar a tributação sobre emissoras de TV e dificultar o acesso a informações públicas.
Uma das questões mais polêmicas de sua gestão foi a chamada 'agenda anti-gay'. Em dezembro de 2020, o Parlamento húngaro aprovou uma lei que proíbe casais do mesmo sexo de adotarem crianças, e o casamento entre pessoas do mesmo sexo é proibido, com a Constituição definindo o casamento como uma instituição entre homem e mulher.
Orbán também enfrentou crescente desgaste devido à estagnação econômica, aumento do custo de vida e críticas sobre o fortalecimento de redes empresariais ligadas ao governo.