Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL), está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de desvio de recursos públicos e associação criminosa. A investigação se concentra em um esquema que envolve emendas parlamentares.
A decisão que autoriza a apuração foi proferida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, na última segunda-feira (6), e divulgada nesta sexta-feira (10). O ministro também determinou a suspensão de R$ 119 milhões em emendas que estariam ligadas ao caso.
Valdemar Costa Neto preside o PL há 26 anos e já foi deputado federal. O partido é associado ao senador Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência da República.
De acordo com a PF, mesmo sem um mandato parlamentar, Valdemar teria influenciado clandestinamente a destinação de verbas públicas. A investigação revela que ele contava com a ajuda de três servidores da Câmara dos Deputados, que teriam operado o direcionamento das emendas.
O relatório da PF indica que pelo menos 21 emendas foram direcionadas de forma irregular, totalizando cerca de R$ 119 milhões. Os investigadores afirmam que os recursos passaram a ser tratados como "cotas pessoais privadas", o que contraria a legislação.
Na decisão, Flávio Dino destacou que os indícios mostram que servidores públicos atuavam para beneficiar uma pessoa sem mandato parlamentar, ressaltando que as emendas parlamentares não devem degradar o Erário a patrimônio privado.
Além do desvio de recursos, Valdemar Costa Neto é acusado de associação criminosa. A investigação aponta que, entre junho de 2024 e março de 2026, ele teria colaborado com os três servidores da Câmara para operacionalizar o esquema.
Os servidores envolvidos são: Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que ocupa um cargo especial na Diretoria Administrativa da Câmara; Nara Benedetti Nicolau Brum, analista legislativa lotada na Liderança do PL; e Garigham Amarante Pinto, advogado em cargo especial na Liderança do partido.
A PF alega que Mariângela coordenava um "arranjo decisório paralelo" para registrar parlamentares como autores de emendas que, na prática, eram definidas por Valdemar. Nara seria responsável pela parte técnica do direcionamento das verbas, enquanto Garigham atuava como interlocutor direto do dirigente partidário.
A defesa de Valdemar Costa Neto manifestou surpresa com a decisão e negou qualquer irregularidade. Em nota, os advogados afirmaram que a medida se baseia em "premissas frágeis" e "inferências subjetivas", sustentando que não há provas de participação consciente do dirigente em qualquer esquema criminoso. Eles também destacaram que a Procuradoria-Geral da República se opôs às medidas cautelares, argumentando que a atuação de um presidente de partido na articulação política com parlamentares é legítima.
Fonte: Polemicaparaiba