O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabeleceu um prazo de 48 horas para que a Meta, empresa controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, forneça esclarecimentos sobre alegações de "seletividade algorítmica" que afetariam as postagens da campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na decisão, proferida no último sábado, o ministro Marco Aurélio Bellizze solicitou que a Meta informe se houve restrições na distribuição de conteúdo do perfil de Lula, além de exclusões de recomendações e bloqueios geográficos.
Os fatos narrados ocorrem em ambiente que somente a representada controla: os sistemas de distribuição de conteúdos na rede, os registros de moderação, a plataforma de anúncios e os sinais de autenticidade de contas — destacou o ministro.
A equipe de Lula, por sua vez, acusou a Meta de tentar interferir nas eleições. Em nota, a empresa reconheceu "problemas técnicos
e refutou as alegações, afirmando que são
falsas" e sem respaldo nos fatos.
Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos
, informou a Meta.
O Partido dos Trabalhadores (PT) declarou que as acusações evidenciam uma "interferência" da Meta no processo eleitoral, ressaltando o controle que empresas transnacionais exercem sobre a comunicação.
Quando esse controle é usado para influenciar a tomada de decisões das pessoas, manipular a percepção pública de comunidades inteiras ou tentar determinar o resultado de processos eleitorais, o conceito de cidadania e a própria democracia são colocados em xeque — afirmou o partido.
A campanha de Lula citou cinco episódios que demonstrariam a suposta interferência da Meta, incluindo a impossibilidade de impulsionar conteúdos no Instagram e interrupções nas visualizações.
Além disso, a campanha anunciou a intenção de acionar a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) devido a
fortes suspeitas de tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro
.
Na mesma decisão, Belizze também exigiu que a Meta informe se tomou medidas para investigar a criação de 255 perfis falsos, gerados por inteligência artificial, que, segundo a campanha de Lula, alcançaram cerca de 58 milhões de visualizações e promoveram ataques ao presidente e à primeira-dama Janja Lula da Silva.
Fonte: Paraibaonline