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Toque de Recolher em Paris se Estende por Terceira Noite

A França impôs um toque de recolher em áreas de Paris pela terceira noite consecutiva, visando conter a violência. A medida se estende das 23h às 6h e proíbe aglomerações em locais estratégicos.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

A França decidiu, nesta quarta-feira, implementar um toque de recolher em determinados bairros de Paris pela terceira noite consecutiva, como uma resposta à recente onda de violência. A restrição, que se aplica das 23h às 6h, abrange áreas como a Praça da República e a região de Les Halles, que foram epicentros dos confrontos.

Além do toque de recolher, as autoridades também proibiram aglomerações a partir das 20h em locais estratégicos, incluindo a famosa avenida Champs-Élysées e as estações ferroviárias da cidade.

O governo francês se prepara para novas manifestações programadas para o próximo sábado, com a Unef, principal entidade estudantil do país, convocando atos, enquanto o movimento dos Coletes Amarelos apresentou um plano de marcha pelo centro da capital.

Diante da pressão, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou uma mobilização policial significativa, prometendo uma operação de segurança reforçada após reconhecer falhas na resposta inicial. Há planos para que tropas do Exército sejam mobilizadas junto com contingentes policiais adicionais.

A bancada do partido França Insubmissa, liderada por Jean-Luc Mélenchon, criticou a abordagem do governo, afirmando que

os manifestantes não são inimigos internos

e que não se deve "entrar em guerra contra o próprio povo".

Lecornu se reuniu com centrais sindicais, que expressaram insatisfação com a falta de respostas concretas às suas reivindicações sobre salários e serviços públicos. Em Lyon, o prefeito proibiu uma manifestação organizada pela Unef para a tarde de quinta-feira.

O presidente Emmanuel Macron, que se reunirá com autoridades de inteligência e ministros para discutir a crise, prometeu impedir a repetição da violência, afirmando que

aqueles que quiserem provocar desordem serão impedidos de fazê-lo

.

Durante uma visita ao Qatar, Macron criticou comentários de líderes estrangeiros sobre os tumultos, chamando-os de "estúpidos" e "inaceitáveis". Ele se referiu a declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, e do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que atribuíram os problemas à imigração e ao islamismo radical.

As autoridades atribuíram parte da violência a pequenos grupos de ultraesquerda, enquanto os saques foram considerados atos de criminosos oportunistas. O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, informou que cerca de 2.500 pessoas foram detidas após os protestos, com 917 suspeitos encaminhados para processos e 174 atualmente detidos.

Os protestos tiveram início com mobilizações de estudantes do ensino médio, que se opuseram à deterioração da qualidade do ensino, mas rapidamente se ampliaram para incluir insatisfações mais amplas relacionadas ao aumento dos preços e à piora dos serviços públicos.

O ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou que apresentará suas "primeiras decisões" às organizações estudantis na próxima segunda-feira. No entanto, uma resposta política que envolva mais gastos públicos é complexa, dado que o governo busca aprovar um ajuste fiscal significativo até 2027.

A crise política se intensifica a seis meses das eleições presidenciais, com candidatos da ultradireita e da ultraesquerda liderando as pesquisas, enquanto Macron não pode concorrer à reeleição.

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