O ex-secretário de Estado Desenvolvimento Humano e Administração, Tibério Limeira (PSB), se manifestou publicamente após ser citado em nova denúncia apresentada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), no âmbito das investigações da “Operação Indignus”, que apura supostos desvios de recursos no Programa Prato Cheio.
De acordo com o Ministério Público, o esquema investigado teria ocorrido entre 2021 e 2023 e envolvido irregularidades na contratação de empresas responsáveis pela distribuição de refeições em municípios paraibanos. O órgão aponta um montante de R$ 10,3 milhões em possíveis desvios, além de outros desdobramentos financeiros do caso.
Tibério Limeira é um dos oito denunciados na ação, que também inclui ex-gestores, servidores públicos e empresários. Entre os nomes citados estão os ex-secretários Pollyanna Werton (PP) e Tibério Limeira, além de ex-diretores do Hospital Padre Zé e outros investigados ligados à execução do programa.
Segundo a denúncia, também há indicação de supostos pagamentos indevidos a agentes públicos, incluindo valores atribuídos a ex-gestores da pasta. O Ministério Público afirma ainda que o esquema teria envolvido empresas vinculadas a um mesmo núcleo familiar e movimentado recursos superiores a R$ 20 milhões em convênios.
Em nota enviada à imprensa, Tibério Limeira afirmou ter recebido a denúncia com “perplexidade” e questionou a forma como o caso veio a público.
Recebo com absoluta perplexidade a informação de que fui novamente denunciado no âmbito de fatos relacionados ao Hospital Padre Zé, tomando conhecimento não por meio de comunicação oficial, mas através de vazamentos seletivos para setores da imprensa — declarou.
O ex-secretário também afirmou que não teve oportunidade de prestar esclarecimentos durante a fase investigativa.
É profundamente preocupante que, em um Estado Democrático de Direito, um cidadão seja exposto publicamente antes mesmo de exercer plenamente o seu direito constitucional de defesa. Mais grave ainda é constatar que jamais fui chamado para prestar esclarecimentos em qualquer fase investigativa relacionada aos fatos agora divulgados — disse.
Na nota, Tibério ainda questiona a condução das investigações e afirma que há “fracionamento de fatos” com impacto na repercussão pública do caso.
Causa estranheza o fracionamento sucessivo de fatos inseridos no mesmo contexto investigativo, com o aparente objetivo de multiplicar denúncias, ampliar artificialmente repercussões midiáticas e promover desgaste público continuado — afirmou.
O ex-secretário também negou irregularidades em sua atuação à frente da pasta e citou relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB).
Sempre pautei minha vida pública pela legalidade, pela transparência e pelo compromisso com o interesse coletivo. Ressalto que, no recente mês de abril, a Corte de Contas apresentou relatório de inspeção especial relacionada aos convênios da SEDH com o Hospital Padre Zé, não constatando irregularidades durante o período em que exerci a função de secretário — declarou.
Tibério concluiu a manifestação afirmando confiar no andamento do processo judicial.
Não aceitarei que minha trajetória pública seja alvo de perseguição política travestida de atuação institucional. Confio na Justiça, no devido processo legal e na plena demonstração da minha inocência
, finalizou.
A denúncia apresentada pelo Ministério Público ainda não foi analisada pela Justiça. Como envolve ex-secretários de Estado, o caso deverá ser apreciado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), que decidirá pelo recebimento ou arquivamento da ação.
Confira abaixo a nota na íntegra
NOTA À IMPRENSA
Recebo com absoluta perplexidade a informação de que fui novamente denunciado no âmbito de fatos relacionados ao Hospital Padre Zé, tomando conhecimento não por meio de comunicação oficial, mas através de vazamentos seletivos para setores da imprensa.
É profundamente preocupante que, em um Estado Democrático de Direito, um cidadão seja exposto publicamente antes mesmo de exercer plenamente o seu direito constitucional de defesa. Mais grave ainda é constatar que jamais fui chamado para prestar esclarecimentos em qualquer fase investigativa relacionada aos fatos agora divulgados.
Causa estranheza o fracionamento sucessivo de fatos inseridos no mesmo contexto investigativo, com o aparente objetivo de multiplicar denúncias, ampliar artificialmente repercussões midiáticas e promover desgaste público continuado. Tal prática compromete a necessária imparcialidade que deve nortear qualquer persecução penal séria e responsável.
Repudio toda tentativa de instrumentalização das instituições, seja por meio do uso político de investigações, seja através de vazamentos direcionados que violam garantias fundamentais e alimentam julgamentos antecipados perante a opinião pública.
Sempre pautei minha vida pública pela legalidade, pela transparência e pelo compromisso com o interesse coletivo. Ressalto que, no recente mês de abril, a Corte de Contas apresentou o relatório de uma inspeção especial específica relacionada com os convênios da SEDH com o Hospital Padre Zé, não constatando nenhuma irregularidade nestes convênios durante o período em que exerci a função de Secretário de Desenvolvimento Humano da Paraíba.
Não aceitarei que minha trajetória pública, construída com trabalho e responsabilidade, seja alvo de perseguição política travestida de atuação institucional, especialmente em um contexto pré-eleitoral, no qual determinados setores parecem mais interessados em produzir desgaste político do que em buscar a verdade dos fatos.
Confio na Justiça, no devido processo legal e na plena demonstração da minha inocência.
Tibério Limeira
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