O Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou a representação apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro, que pedia a apuração de supostos desvios de verbas federais relacionadas à empresa Life Tecnologia Educacional, onde trabalha Carla Ariane Trindade, ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os ministros do TCU afirmaram que Flávio não apresentou provas suficientes para sustentar sua denúncia, que se baseava principalmente em informações veiculadas pela imprensa. O acórdão, publicado em 26 de maio, destaca que a peça inicial carece de "indícios mínimos" de irregularidade ou ilegalidade, uma vez que se fundamenta em matérias jornalísticas sem documentos que individualizem fatos ou identifiquem responsabilidades.
A decisão do TCU não interfere nas investigações da Polícia Federal, que continua a apurar se Carla Ariane utilizou o nome de Lula para obter reuniões em Brasília e liberação de verbas para a Life.
Os advogados de Carla Ariane não se manifestaram sobre o arquivamento da representação. Desde o início da Operação Coffe Break, deflagrada no final do ano passado, a defesa tem negado as acusações, mas não forneceu detalhes adicionais.
O Ministério da Educação também se manifestou anteriormente, afirmando que não tem relação com a operação policial e que não comentaria o assunto. A pasta não esclareceu o motivo pelo qual Carla Ariane foi recebida em uma reunião fora da agenda no ministério em 12 de julho de 2024.
A investigação da Polícia Federal, realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), apura fraudes em licitações e desvios de verbas na área da educação em prefeituras. Entre 2021 e 2023, a Life recebeu cerca de R$ 52 milhões, parte durante o governo de Jair Bolsonaro e parte sob a gestão de Lula.