O surto atual de Ebola na República Democrática do Congo alcançou um novo patamar alarmante, com 2.325 mortes e 4.945 infecções confirmadas, conforme dados das autoridades de saúde do país. Essa epidemia é agora a mais letal já enfrentada pelo Congo e a segunda mais mortal na história do Ebola, superada apenas pela epidemia que ocorreu entre 2014 e 2016 na África Ocidental.
Os números atuais superam o surto que ocorreu no leste do Congo entre 2018 e 2020, que resultou em 2.299 mortes. O Instituto Nacional de Saúde Pública congolês informou que, nas 24 horas anteriores à divulgação dos dados, foram identificados 101 novos casos da doença.
A epidemia, que é a 17ª registrada no país desde a identificação do vírus em 1976, foi oficialmente declarada em 15 de maio, inicialmente na província de Ituri. Desde então, a doença se espalhou para seis províncias: Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uélé, Tshopo e Bas-Uélé.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) relatou que, até 12 de agosto, havia transmissão em 54 zonas de saúde, com 4.665 casos confirmados e 2.184 mortes. Os dados mais recentes do governo congolês, referentes a 16 de agosto, elevaram esses números para 4.945 infecções e 2.325 mortes.
A taxa de letalidade está em torno de 47%, com quase metade das pessoas diagnosticadas não sobrevivendo. A OMS observou que a letalidade era de aproximadamente 20% no início de junho, mas aumentou ao longo da epidemia, o que pode ser atribuído à demora na identificação e tratamento dos casos.
As condições na região, como insegurança e dificuldades no sistema de saúde, também dificultam o controle da transmissão. O surto é causado pela variante Bundibugyo do vírus, que não possui vacina aprovada, ao contrário do vírus Zaire, responsável por outras epidemias.
A OMS declarou o surto como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional em 17 de maio, destacando a gravidade da situação. O Ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, e os primeiros sintomas incluem febre e dores musculares.
Fonte: Noticiasaominuto