Recentemente, o governo da Síria revelou a localização de instalações associadas ao programa de armas químicas da era de Bashar al-Assad, que foi deposto em dezembro de 2024. A informação foi divulgada pela mídia estatal nesta terça-feira.
A Missão Permanente da República Árabe da Síria junto à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) informou que foram encontrados 54 bombas aéreas e 25 terrestres, além de materiais utilizados na fabricação do gás sarin, um agente neurotóxico altamente perigoso. Esses itens são semelhantes às armas que teriam sido empregadas pelo governo Assad entre 2013 e 2017.
Após a apreensão, os materiais foram transferidos para locais seguros. Além disso, 18 indivíduos, incluindo oficiais de alta patente e cientistas, foram detidos e estão sendo investigados por possíveis vínculos com o programa de armas químicas da administração anterior.
Desde o final de 2024, a Síria é governada por Ahmed al-Sharaa, que, apesar de um passado ligado ao jihadismo, tem recebido apoio internacional após prometer um governo menos repressivo. Como resultado, várias nações, incluindo os Estados Unidos e membros da União Europeia, começaram a retirar sanções e reatar laços diplomáticos com o país.
O uso de armas químicas foi um dos principais fatores que motivaram a intervenção estrangeira na Síria, que se intensificou após o início da guerra civil em 2011. Em 2013, Assad assinou um tratado para eliminar os estoques de armas químicas e formalizou a adesão da Síria à Convenção sobre Armas Químicas. No entanto, investigações de organismos internacionais indicam que essas munições foram utilizadas contra opositores e civis em pelo menos duas ocasiões durante o conflito.
Além disso, o Estado Islâmico (ISIS) também fez uso de armas químicas durante seu auge, quando ocupou dois terços do território sírio entre 2015 e 2017.