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Rússia reconhece impactos da crise no Estreito de Ormuz

A Rússia admite que a crise no Estreito de Ormuz e o bloqueio dos EUA ao Irã afetam sua economia, segundo o vice-ministro das Relações Exteriores, Alexander Pankin.
Foto: Metropoles

A Rússia começou a reconhecer os efeitos da crise no Estreito de Ormuz sobre sua economia. O vice-ministro das Relações Exteriores, Alexander Pankin, declarou que as restrições à navegação na região e o bloqueio naval dos Estados Unidos ao Irã têm consequências negativas para Moscou. Ele afirmou:

É claro que afetou a todos, seria insensato dizer que não afetou a Rússia.

Pankin destacou que a ideia de que a Rússia se beneficia automaticamente da alta do petróleo é simplista. Apesar de ser uma grande exportadora de energia, o aumento dos preços internacionais traz efeitos colaterais significativos.

Os preços altos reduzem a demanda. Além disso, combustíveis, fertilizantes e muitas outras coisas ficam mais caros. Isso nos torna vulneráveis, porque importamos muito — explicou.

Essa declaração representa uma mudança em relação a posicionamentos anteriores do Kremlin. No início do mês, o assessor presidencial Yuri Ushakov havia afirmado que embarcações russas não enfrentavam restrições no Estreito de Ormuz, mesmo diante de bloqueios que afetavam outros países. Agora, a chancelaria russa admite que os efeitos indiretos da crise já impactam a economia nacional.

O Estreito de Ormuz, onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, se tornou um foco de tensão geopolítica nas últimas semanas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que manterá o bloqueio naval ao Irã até a assinatura de um acordo definitivo, mesmo após estender a trégua. Em resposta, forças ligadas à Guarda Revolucionária iraniana impuseram restrições à navegação na região, embora o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, tenha afirmado que a passagem permaneceria aberta para embarcações comerciais sob coordenação de Teerã.

A troca de acusações aumentou a incerteza no mercado internacional, elevando o risco de interrupções no fluxo de petróleo e gás natural, o que pressiona preços e cadeias de suprimento. Pankin comparou a situação atual a grandes crises internacionais das últimas décadas, afirmando que

esta crise é extremamente difícil e pode ser comparada às principais crises dos últimos 50 a 60 anos

. Ele ressaltou que, apesar de a Rússia ter um certo grau de autossuficiência, o país não está imune aos efeitos do mercado global.

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