Recentemente, dois relatórios trouxeram à tona uma série de denúncias de abusos sexuais no contexto do conflito entre Israel e Hamas, que se intensificou em 7 de outubro de 2023. As investigações revelam a gravidade da situação humanitária em Gaza, marcada por fome, morte e destruição.
Uma investigação de dois anos realizada pela Comissão Civil de Israel, um grupo independente, concluiu que o Hamas utilizou a violência sexual de forma deliberada e sistemática como parte de sua estratégia de ataque, visando principalmente mulheres e reféns. O relatório menciona que menores também foram vítimas de abusos graves.
Por outro lado, testemunhas palestinas relataram ao jornal The New York Times que sofreram violência sexual por agentes de segurança israelenses, incluindo soldados e guardas prisionais. As alegações incluem um padrão de violência sexual generalizada contra homens, mulheres e crianças palestinas.
A Comissão Civil analisou milhares de fotos e vídeos e entrevistou centenas de testemunhas sobre os ataques de 7 de outubro. O relatório destaca abusos ocorridos em eventos como o Festival de Música Super Nova e em bases militares, onde as vítimas enfrentaram tortura sexual e outros atos brutais.
Um vídeo incluído no relatório mostra relatos de reféns israelenses que descrevem experiências perturbadoras de abuso. Um sobrevivente mencionou um caso específico de violência extrema contra uma mulher durante os ataques.
O Hamas negou as alegações de abuso sexual. Os autores do relatório afirmaram que suas conclusões foram baseadas em metodologias reconhecidas internacionalmente para documentar crimes de guerra e violência sexual.
Um relatório da ONU de 2024 corroborou muitas das alegações feitas por Israel, indicando que há motivos razoáveis para acreditar que ocorreu violência sexual relacionada ao conflito. No entanto, a representante especial da ONU sobre violência sexual em conflitos, Pramila Patten, observou que a verdadeira extensão da violência pode nunca ser totalmente conhecida.
Nicholas Kristof, em um artigo no The New York Times, também abordou o tema, relatando abusos sofridos por palestinos em detenção israelense. Um estudo da organização Save the Children revelou que mais da metade das crianças entrevistadas relataram ter testemunhado ou sofrido violência sexual durante a detenção.
Os relatos de violência sexual como ferramenta de guerra foram destacados, com a Comissão Civil afirmando que o Hamas utiliza essa prática, enquanto o artigo de Kristof sugere que, embora não haja evidências de ordens diretas para estupros por líderes israelenses, a violência sexual se tornou parte dos procedimentos operacionais padrão.