Entre 2023 e 2024, a fome no Brasil apresentou uma diminuição significativa em lares beneficiários do Bolsa Família que são chefiados por mulheres. O estudo intitulado 'Mulheres no centro da redução da insegurança alimentar no Brasil', realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), foi divulgado recentemente.
Os dados mostram que, em 2023, 9,6% dos domicílios chefiados por mulheres enfrentavam insegurança alimentar grave, enquanto em 2024 essa porcentagem caiu para 7,2%, representando uma redução de 2,4 pontos percentuais. Em comparação, lares chefiados por homens apresentaram uma queda de 1,8 ponto percentual, passando de 8,6% para 6,8%.
A Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia) define a insegurança alimentar grave como a situação em que há redução ou falta de alimentos para adultos e crianças no lar. Por outro lado, a segurança alimentar é caracterizada pelo acesso suficiente a alimentos, sem comprometer outras necessidades.
A pesquisadora Janaína Rodrigues Feijó, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, atribui a melhoria à habilidade das mulheres em administrar a renda do Bolsa Família, afirmando que 'elas gastam melhor os recursos dentro do lar, especialmente quando têm crianças'.
O levantamento indica que, em um ano, 946,6 mil domicílios assistidos pelo Bolsa Família superaram a fome e alcançaram a segurança alimentar, sendo que quase 670 mil desses lares eram chefiados por mulheres. Janaína destaca que, quando mulheres têm maior controle sobre os recursos, os gastos tendem a se direcionar para itens que promovem o bem-estar familiar.
O Bolsa Família é o principal programa de transferência de renda do Brasil, com um critério de assistência baseado na renda mensal familiar. Atualmente, o programa atende 18,73 milhões de famílias, com um gasto total de R$ 12,77 bilhões.
O estudo também revela que 70,8% dos lares que alcançaram segurança alimentar eram chefiados por mulheres, e 61,4% desses lares tinham mulheres pretas ou pardas como responsáveis. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, ressaltou a importância de direcionar a renda para mulheres em situação de vulnerabilidade, ligando o combate à fome à desigualdade racial.
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, elogiou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de priorizar mulheres como recebedoras do programa, destacando os impactos positivos na saúde, educação e na superação da pobreza.
O evento na FGV também abordou a saída do Brasil do Mapa da Fome, um indicador da FAO que mede a subalimentação grave. O país deixou esse mapa em 2025, após ter retornado a ele em 2022, com 33 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave.
O estudo da FGV conclui que, sem o Bolsa Família, a segurança alimentar no Brasil diminuiria significativamente, reforçando a importância de políticas públicas de transferência de renda para a redução da insegurança alimentar, especialmente em lares vulneráveis.