Um sistema inovador está sendo utilizado para monitorar os movimentos de jatos privados, com o objetivo de identificar possíveis sinais de inquietação entre as elites globais em situações de crise. A ideia, desenvolvida por Kyle McDonald, programador e artista de Los Angeles, sugere que, se uma catástrofe global estiver se aproximando, os super-ricos provavelmente terão acesso a informações antes do restante da população.
O Sistema de Alerta Precoce do Apocalipse, como é chamado, rastreia cerca de 11 mil jatos privados e de fretamento em todo o mundo. O sistema utiliza uma rede de receptores de rádio que captam sinais ADS-B, os quais transmitem em tempo real a posição, velocidade e altitude das aeronaves. A partir desses dados, McDonald compara a quantidade de jatos no ar em um determinado momento com uma linha de base histórica, levando em conta padrões diários e sazonais.
A escala de alerta varia de 1 a 5, onde o nível 1 representa um dia normal e o nível 5 indica uma atividade aérea significativamente superior à média do ano anterior. Alertas automáticos podem ser enviados caso o número de jatos no ar dispare repentinamente.
A motivação para criar o rastreador surgiu após McDonald ler uma ameaça do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Irã, que o fez refletir sobre quem teria acesso a informações críticas em momentos de crise. Após testar seu modelo com dados históricos, ele notou que o maior pico de atividade aérea ocorreu em 6 de abril, coincidentemente no dia em que o Irã lançou uma ofensiva contra alvos americanos e israelenses.
Embora McDonald reconheça que seu rastreador não é um detector científico de apocalipse, ele acredita que os padrões observados levantam questões sobre como as elites reagem a incertezas. O projeto também gera receita, com cerca de 2,5 mil pessoas se inscrevendo para receber alertas, sendo que algumas pagam cinco dólares por ano.
Kyle McDonald, que tem 25 anos de experiência como programador, utiliza uma técnica chamada vibe coding para desenvolver o rastreador. Ele já trabalhou em projetos que envolvem vigilância e ativismo, buscando inverter a lógica da vigilância para escrutinar o poder.
De acordo com o The Washington Post, o trabalho de McDonald dialoga com as reflexões do escritor Douglas Rushkoff, que analisa a obsessão de alguns bilionários em se preparar para o colapso social. O rastreador de McDonald, portanto, pode ser visto como um termômetro do medo das elites, refletindo a crescente concentração de riqueza e poder.