O ouro, tradicionalmente considerado um porto seguro em tempos de incerteza econômica, viu uma diminuição nos investimentos no início deste ano. Dados do Conselho Mundial do Ouro indicam uma queda de 5% nos volumes de investimento no primeiro trimestre, mesmo após o metal precioso ter alcançado um recorde histórico em janeiro.
Esse aumento inicial na demanda por ouro foi impulsionado pela fraqueza do dólar e pela incerteza em relação à política econômica dos Estados Unidos. Contudo, o relatório do conselho revela que saídas significativas de capital em março reverteram grande parte das entradas observadas nos meses anteriores, especialmente em fundos negociados em bolsa (ETFs) de ouro, predominantemente nos EUA.
Juan Carlos Artigas, especialista da entidade, explica que o ouro é frequentemente um dos primeiros ativos a serem vendidos quando investidores precisam de liquidez.
Muitas vezes, como o ouro é tão amplamente aceito, ele é a primeira coisa a ser vendida quando é preciso ter acesso a dinheiro ou liquidez
, afirma.
As tensões no Oriente Médio, exacerbadas por ataques de Israel e dos EUA ao Irã, também influenciaram o mercado. A resposta do Irã, bloqueando o trânsito pelo Estreito de Ormuz, afetou a produção global de petróleo, elevando os preços e aumentando a volatilidade nos mercados. Isso levou muitos investidores a buscar recursos para cobrir perdas.
Além disso, a expectativa de que o Federal Reserve aumente as taxas de juros para controlar a inflação fortaleceu o dólar, tornando o ouro mais caro para investidores que utilizam outras moedas. Apesar da queda no volume de compras, o valor das aquisições subiu 62%, refletindo a alta dos preços do metal, que chegou a quase US$ 5.600 por onça no final de janeiro.
Entretanto, a elevação dos preços também impactou a demanda por joias, especialmente considerando que o Oriente Médio é um importante centro logístico para o transporte desses produtos.