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Queda no número de deslocados à força é registrada pela ONU

Em 2025, o número de pessoas deslocadas à força caiu para 117,8 milhões, a primeira redução em uma década, segundo relatório da Acnur. A maioria permanece em seus países de origem.
Foto: Metropoles

O número de pessoas deslocadas à força no mundo, em decorrência de guerras e crises humanitárias, apresentou uma queda significativa em 2025, totalizando 117,8 milhões. Essa é a primeira redução em dez anos, conforme apontado no relatório

Tendências Globais: Deslocamento Forçado em 2025

, divulgado pela Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) em 11 de junho.

Do total de deslocados, 68,6 milhões são considerados Pessoas Deslocadas Internamente (IDPs), ou seja, deixaram suas casas, mas permanecem dentro das fronteiras de seus países. No Sudão, que enfrenta uma guerra civil desde 2023, 9,1 milhões de pessoas estão fugindo da violência.

O conflito no Sudão, que envolve as Forças Armadas Sudanesas (SFA) e as Forças de Apoio Rápido (RSF), é classificado pela ONU como a maior crise humanitária atual. Estima-se que 19,5 milhões de pessoas no país enfrentem insegurança alimentar aguda devido à violência.

O segundo maior grupo de deslocados é composto por 40,2 milhões de refugiados que buscaram abrigo em outros países. No último ano, 5,4 milhões de pessoas foram forçadas a deixar seus lares, com oito países responsáveis por quase 60% dos casos: Sudão, Ucrânia, Venezuela, Sudão do Sul, Burkina Faso, Afeganistão, Mali e Mianmar.

Entre os refugiados, 56% têm entre 18 e 59 anos, enquanto 39% são crianças de 0 a 17 anos. Além disso, 9 milhões de pessoas aguardam decisões sobre seus pedidos de asilo.

A redução no número de deslocados é atribuída, em grande parte, ao retorno de pessoas a seus países de origem. No último ano, 14,7 milhões de refugiados e deslocados internamente retornaram, um aumento de 50% em relação a 2024. A maioria desses retornos ocorreu em seis países, sendo que quatro deles ainda enfrentam conflitos.

Os países com maior número de retornos incluem a República Democrática do Congo, Sudão, Síria, Afeganistão, Ucrânia e Mianmar. Contudo, muitos desses retornos não foram voluntários, sendo forçados por circunstâncias adversas.

No Afeganistão, por exemplo, mudanças nas políticas de países vizinhos resultaram na pressão para que refugiados retornassem. Em abril de 2025, mais de 280 mil afegãos foram forçados a voltar ou deportados pelo Paquistão e Irã.

O Alto Comissário da ONU para Refugiados, Barham Salih, destacou que

muitos desses retornos ocorreram não em condições de segurança e estabilidade, mas sob pressão

. Ele enfatizou a importância de distinguir entre retornos voluntários e forçados, alertando que misturá-los pode enfraquecer o princípio do retorno seguro e digno.

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