O PSDB está analisando a possibilidade de lançar Aécio Neves como candidato à Presidência da República, aproveitando o desgaste da candidatura de Flávio Bolsonaro, que se intensificou após a revelação de conversas em que ele solicitou dinheiro para um filme sobre seu pai.
Aécio se reuniu com os presidentes do Solidariedade e do Cidadania, além de membros da cúpula do PSDB, para discutir essa estratégia. O objetivo é avaliar se sua candidatura pode ganhar apoio nas pesquisas e se consolidar como uma alternativa até as convenções de julho.
Roberto Freire, ex-presidente do Cidadania, planeja convocar uma reunião da federação PSDB-Cidadania para defender a pré-candidatura de Aécio. Ele expressou a necessidade de agir diante do atual cenário político, afirmando que não se pode permitir que o país continue sob a influência do lulopetismo ou do bolsonarismo.
Freire também destacou a importância de superar divisões e reconstruir pontes entre os brasileiros, buscando um futuro mais democrático. Aécio, por sua vez, havia sugerido o nome de Ciro Gomes como uma alternativa interna, mas Ciro optou por concorrer ao governo do Ceará.
Outra possibilidade mencionada é a candidatura do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que, após trocar o PSDB pelo PSD, ficou impossibilitado de concorrer. Paulinho da Força, deputado federal, confirmou que a candidatura de Aécio foi discutida e se mostrou entusiasta da ideia.
A estratégia é que Aécio se diferencie dos outros candidatos de centro-direita, criticando tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro, para atrair eleitores do centro. Embora Aécio não tenha comentado sobre a candidatura, o partido considerava anteriormente sua candidatura ao Senado ou a reeleição como deputado federal.
Aliados de Aécio acreditam que sua experiência como ex-governador de Minas Gerais e candidato presidencial em 2014 pode ser um trunfo. Naquela eleição, Aécio obteve 48,36% dos votos no segundo turno, mas sua imagem foi afetada por denúncias relacionadas à Operação Lava Jato.
A pré-candidatura de Aécio é vista como uma oportunidade para ele limpar sua imagem pública, especialmente após ser inocentado de acusações. O caso dele é contrastado com as denúncias envolvendo o governo Lula e Flávio Bolsonaro, que admitiu ter recebido R$ 61 milhões para um filme sobre Jair Bolsonaro.
Aécio foi alvo de uma gravação em 2017, onde pedia R$ 2 milhões a Joesley Batista, o que gerou repercussão negativa. No entanto, o juiz responsável pelo caso considerou que não havia provas suficientes para vincular o pedido a atos de corrupção.
Aécio defendeu sua inocência, afirmando que as acusações eram parte de uma farsa montada por membros da PGR e delatores.