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Protestos em Tirana contra resort ligado a Ivanka Trump

Em Tirana, manifestantes exigem o cancelamento de um resort de luxo associado a Ivanka Trump. O projeto, que pode impactar a biodiversidade local, gera polêmica e confrontos com a polícia.
Foto: G1

Nos últimos dias, milhares de pessoas têm protestado nas ruas de Tirana, capital da Albânia, contra um empreendimento turístico de luxo supostamente ligado a Ivanka Trump, filha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu marido, Jared Kushner.

Os manifestantes, que exibem bandeiras albanesas e cartazes com slogans anticorrupção, também utilizam imagens de Ivanka Trump e flamingos cor-de-rosa como parte da campanha que pede que o casal "volte para casa".

Os protestos têm sido marcados por confrontos entre a polícia e os manifestantes, que gritam "Cancelem o empreendimento" e seguram faixas com a frase "A Albânia não está à venda".

O resort, que está orçado em 1,4 bilhão de euros (aproximadamente R$ 8,3 bilhões), está projetado para ser construído em uma ilha próxima a uma área que abriga flamingos, focas e ninhos de tartarugas marinhas.

O primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, defende o projeto, afirmando que ele trará empregos e infraestrutura para a região, com um investimento total estimado em 4 bilhões de euros (cerca de R$ 24 bilhões).

A ilha desabitada de Sazan, onde o resort está planejado, possui uma história militar significativa e é conhecida por sua biodiversidade.

Em janeiro, 40 organizações ambientais solicitaram a suspensão dos planos, alertando para possíveis danos irreversíveis à biodiversidade local. Joni Vorpsi, ecologista da organização PPNEA-Birdlife Albania, afirmou:

Queremos que a construção seja interrompida e que as máquinas pesadas saiam da área protegida

.

Os protestos começaram em maio, após a instalação de arame farpado que bloqueava o acesso à praia de Zvernec, uma área próxima à ilha de Sazan.

Embora haja resistência ao projeto, alguns moradores, como Brian Negatorre, que trabalha com turismo, acreditam que o empreendimento pode beneficiar a Albânia.

O governo concedeu o status de "investidor estratégico" à Atlantic Incubation Partners, empresa ligada a Kushner, o que garante acesso a procedimentos administrativos acelerados.

O primeiro-ministro Edi Rama afirmou que não há chance de o empreendimento ser interrompido enquanto ele estiver no poder, mas se mostrou aberto ao diálogo com os manifestantes.

A agência estatal anticorrupção da Albânia confirmou que abriu uma investigação relacionada ao projeto, embora detalhes não tenham sido divulgados.

A disputa sobre a propriedade das terras destinadas ao projeto é um tema recorrente na Albânia, onde conflitos de propriedade têm sido uma fonte de tensão e violência.

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