Neste sábado, milhares de pessoas se reuniram em Saint-Denis, na periferia de Paris, para um protesto contra o racismo, convocado pelo novo prefeito da cidade, Bally Bagayoko. A manifestação foi uma resposta a uma campanha de ódio que surgiu após sua vitória nas eleições municipais de março, desencadeando um debate nacional sobre discriminação racial.
Durante o evento, o prefeito clamou à multidão: “Resistência! Resistência!”, enquanto se dirigia à praça em frente à prefeitura. O protesto contou com a presença de diversos sindicatos, associações e figuras políticas de esquerda, incluindo o líder do partido França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, além de uma delegação socialista.
Bally Bagayoko expressou sua determinação, afirmando:
Não temos medo da extrema direita; a luta contra o racismo é uma luta que venceremos. Somos a França!
Ele também denunciou a irresponsabilidade de veículos de comunicação que alimentam o racismo e convocou um novo protesto para o dia 3 de maio.
Os ataques contra Bagayoko incluem comparações desumanizadoras feitas em um canal de TV, onde ele foi comparado à “família dos grandes símios” e acusado de comportamento machista. Jean-Luc Mélenchon criticou a onda de racismo vinda das elites políticas e midiáticas, afirmando que “racismo não é opinião, é crime”.
Participantes da manifestação expressaram sua indignação. Karim, um funcionário público de 52 anos, lamentou que o racismo esteja sendo tratado como uma opinião. Kantéba Camara-Sissoko, uma cuidadora de crianças, compartilhou sua surpresa e indignação com os ataques. Placas entre os manifestantes pediam mais prefeitos negros.
Sara, uma estudante de direito de 26 anos, veio apoiar Bally Bagayoko e criticou membros do Partido Socialista, que, segundo ela, foram os primeiros a atacar o prefeito. O prefeito de La Courneuve, Aly Diouara, também comentou que o partido precisava se organizar ou se afastar do protesto. O deputado socialista Jérôme Guedj manifestou seu apoio total ao evento.