A prefeita de Belém, Aline Barbosa de Lima, enviou à Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 003/2026, que propõe alterações significativas nas Secretarias de Saúde e Administração. A proposta, protocolada no início de março, gerou preocupação nos bastidores políticos devido à possibilidade de uso de cargos públicos para acomodar familiares de parlamentares.
Entre as mudanças propostas, destaca-se a alteração do cargo de Gerente de Comunicação para Coordenador de Comunicação, atualmente ocupado por José Vicente, ex-vereador e esposo da vereadora Cláudia. Se aprovado, o salário será de R$ 4.200,00. Além disso, será criado o cargo de Coordenadora da Casa do Autista, que será ocupado por Rosa Soares, mãe do vereador Fábio Júnior, com um salário de R$ 3.410,00. O cargo de Gerente de Recursos Humanos também sofrerá alteração, passando a ser CDG-3, e é atualmente ocupado por Maria de Lourdes, esposa do vereador Guia, com o mesmo salário proposto.
A vereadora de oposição, Professora Ana, expressou forte oposição ao projeto, questionando a prioridade da gestão e a destinação de recursos públicos. Ela afirmou:
Eu não sou contra a que se crie cargos, mas eu sou contra a que se crie cargos para beneficiar A, B ou C, ou família de A, B ou C. Enquanto isso, faltam medicamentos básicos e assistência digna para a nossa população.
A prefeita defendeu as alterações como necessárias para aprimorar a gestão pública e aumentar a eficiência, destacando a criação da coordenação para atendimento a autistas. Contudo, a proposta encontrou resistência até mesmo entre vereadores da base aliada, que temem que a reforma beneficie apenas um grupo restrito, deixando outros aliados de fora.
Relatos indicam que alguns parlamentares da base ameaçam não votar a favor do projeto, alegando que o desgaste perante a opinião pública será alto em relação aos benefícios coletivos. Se aprovado, o projeto terá efeitos retroativos a 1º de março de 2026 e seguirá para análise das comissões da Câmara antes da votação final.