Search

Peru: Eleição presidencial entre Sánchez e Fujimori segue indefinida

A disputa presidencial no Peru continua acirrada, com Roberto Sánchez e Keiko Fujimori disputando voto a voto. Com 95% das urnas apuradas, a diferença entre os candidatos é mínima, mantendo o resultado indefinido.
Foto: G1

A eleição presidencial no Peru permanece indefinida nesta terça-feira (9), com mais de 95% das urnas apuradas. Os candidatos Roberto Sánchez, da esquerda, e Keiko Fujimori, da direita, estão em uma disputa acirrada, com a contagem de votos revelando uma diferença mínima entre eles.

Na tarde de segunda-feira (8), Sánchez assumiu a liderança da corrida presidencial, registrando 50,116% dos votos, enquanto Fujimori contabilizava 49,884%, de acordo com a última atualização do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) às 23h58, no horário de Brasília. A pequena margem de votos mantém o resultado em aberto.

A contagem oficial do órgão eleitoral indica que, após várias horas com Fujimori liderando, Sánchez virou o jogo às 14h58 (horário de Brasília). Apesar de ser apontada como favorita nas pesquisas de boca de urna, a candidata conservadora viu sua vantagem diminuir, especialmente nas zonas eleitorais rurais, que são as últimas a serem contabilizadas.

Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, foi a primeira colocada no primeiro turno, com 17,2% dos votos válidos, enquanto Sánchez obteve 12%. O primeiro turno, realizado em abril, contou com um recorde de 35 candidatos.

As seções eleitorais foram fechadas às 17h locais (19h no horário de Brasília) de domingo (7), em uma jornada eleitoral que transcorreu sem maiores incidentes, ao contrário do primeiro turno, que foi marcado por falhas técnicas e denúncias de fraude.

O cenário político no Peru é caracterizado por uma fragmentação significativa, com a população demonstrando descrença nas instituições. O cientista político Lucas Berti, do Observatório Político Sul-Americano, destaca que a situação atual é reflexo de um processo de deslegitimação institucional que se intensificou nos últimos anos.

Nos últimos dez anos, o Peru teve nove presidentes, o que evidencia a instabilidade política do país. Berti aponta que a facilidade com que um presidente pode ser destituído, conforme o artigo 113 da Constituição, contribui para a fragilidade institucional.

Além disso, a recente eleição restabeleceu o sistema legislativo bicameral no Peru, que havia sido abolido em 1992. Agora, a destituição de um presidente exigirá aprovação em ambas as Casas do Congresso, o que pode trazer mudanças significativas para a governabilidade.

A crise política no Peru também se reflete na baixa confiança da população nas instituições. Dados do Latinobarómetro indicam que 90% dos peruanos têm pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso, e apenas 10% se dizem satisfeitos com a democracia.

PUBLICIDADE

Mais recentes

PUBLICIDADE