O reverendo Arival Dias Casimiro decidiu deixar sua posição como pastor titular da Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP) após firmar um acordo na Justiça trabalhista com uma ex-funcionária que o acusou de assédio e abuso espiritual. A saída do pastor ocorre em meio a questionamentos sobre sua permanência em uma das igrejas mais influentes da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).
A assessoria de imprensa da IPP informou que, ciente dos fatos, Casimiro optou por pedir licença em comum acordo com o conselho da igreja, em respeito à sua família e à comunidade. O pastor não respondeu a tentativas de contato feitas no início da tarde do domingo.
A ex-funcionária, que atuava na Junta Missionária de Pinheiros, havia iniciado um processo em maio de 2025, que foi encerrado por meio de um acordo. A IPP reconheceu que o pastor enviou mensagens consideradas "inoportunas, inadequadas e infelizes". O caso foi apurado internamente, e o pastor admitiu a inconveniência de suas mensagens, pedindo perdão e recebendo uma medida disciplinar, cuja natureza não foi especificada.
A nota da IPP também mencionou que houve um
acordo homologado pela Justiça do Trabalho, sem sentença de mérito e sem reconhecimento de prática de assédio
, o que gerou descontentamento entre os membros da igreja, que interpretaram isso como uma postura branda em relação ao pastor.
O relato da ex-funcionária à Justiça do Trabalho descreve que Casimiro a abordava frequentemente no ambiente de trabalho, fazendo comentários sobre sua aparência e sugerindo que ela se vestisse de maneira mais chamativa. Além disso, ele teria enviado mensagens pessoais que a deixavam desconfortável, dada sua posição hierárquica.
Em uma das conversas, o pastor expressou sentimentos por ela, mas logo recuou. A ex-funcionária também relatou uma reunião em que Casimiro pediu desculpas e afirmou que via a funcionária como uma filha, além de oferecer ajuda financeira para a compra de um apartamento.
Após o episódio, a mulher solicitou demissão sem justa causa para receber os direitos trabalhistas. Em sua ação, ela alegou que as atitudes do pastor não apenas configuravam assédio, mas também abuso espiritual, o que gerou discussões sobre a permanência de Casimiro no cargo.
A controvérsia surgiu em um contexto em que a IPB estava debatendo mecanismos de controle sobre a exposição de conflitos internos, tendo aprovado uma resolução contra a "maledicência digital", que prevê sanções para quem expuser erros de lideranças na internet.
Fonte: Noticiasaominuto