O engasgo é uma situação comum, mas que pode se transformar em uma emergência em poucos minutos. Essa condição ocorre quando alimentos, líquidos ou saliva obstruem a via respiratória, dificultando a passagem de ar para os pulmões. Em casos graves, a obstrução pode ser total, levando à perda de consciência. Especialistas ressaltam que reconhecer os sinais de alerta é crucial para um desfecho positivo.
Os sintomas mais frequentes incluem tosse intensa, dificuldade para respirar e sensação de sufocamento. Quando a pessoa está sozinha, a rapidez na ação se torna ainda mais essencial. Durante a alimentação, o corpo realiza movimentos automáticos para direcionar os alimentos ao esôfago, enquanto estruturas na garganta fecham temporariamente a entrada da traqueia. No engasgo, esse mecanismo falha, e o alimento pode seguir pelo caminho errado.
A otorrinolaringologista Eliones Dantas Pinto explica que, ao ocorrer a obstrução, o corpo tenta expulsar o objeto imediatamente.
Se a obstrução for completa, a pessoa pode perder a capacidade de falar e respirar em poucos minutos
, alerta. Em casos leves, a pessoa ainda consegue tossir e falar, mas em situações mais graves, os sinais incluem silêncio ao tentar tossir, dificuldade intensa para respirar, lábios arroxeados e mãos no pescoço.
A fonoaudióloga Alessandra Santos destaca que certos grupos, como bebês, idosos e pessoas com doenças neurológicas, apresentam maior risco de complicações relacionadas ao engasgo. Se a pessoa ainda consegue tossir, a recomendação é manter a calma e estimular a tosse, que é o principal mecanismo de defesa do organismo. Deitar ou tentar beber água pode agravar a situação.
Nos casos em que a passagem de ar está severamente comprometida, é fundamental agir rapidamente. A orientação é acionar os serviços de emergência e tentar realizar compressões abdominais em si mesmo. Uma alternativa é usar uma superfície firme para aumentar a pressão sobre o abdômen, pressionando a parte superior da barriga contra o encosto de uma cadeira ou mesa.
Os especialistas alertam para erros comuns que podem piorar o engasgo, como tentar retirar o objeto da garganta sem vê-lo, oferecer líquidos ou insistir para que a pessoa engula mais alimentos. Bater nas costas de forma desorganizada também não é recomendado quando a vítima ainda consegue tossir. Após um episódio de engasgo, é importante procurar avaliação médica se houver tosse persistente, rouquidão, chiado no peito, febre, dor ao respirar ou sensação de algo preso na garganta.
Pequenos resíduos podem permanecer nas vias aéreas, aumentando o risco de complicações respiratórias. A otorrinolaringologista enfatiza que episódios repetidos de engasgo devem ser investigados, pois podem indicar problemas de saúde que necessitam de acompanhamento. Embora o engasgo possa parecer um acidente doméstico simples, ele pode evoluir rapidamente para uma emergência grave.