Pesquisadores da Universidade Médica da Capital, em Pequim, estão conduzindo uma investigação sobre uma nova abordagem para mitigar os danos causados por acidentes vasculares cerebrais (AVC). O estudo, publicado na revista Science Translational Medicine em 17 de junho, utiliza a combinação de dois medicamentos já conhecidos: clorpromazina e prometazina.
O AVC isquêmico agudo, que é o tipo mais comum da doença, ocorre devido à interrupção do fluxo sanguíneo para o cérebro. Quando isso acontece, a falta de oxigênio e nutrientes provoca danos às células cerebrais. Mesmo após a restauração da circulação sanguínea por meio de tratamentos convencionais, as lesões podem continuar a se desenvolver, o que leva os cientistas a buscar formas de proteger o cérebro durante esse período crítico.
No novo estudo, a combinação de clorpromazina e prometazina, referida como C+P, foi testada em camundongos, macacos rhesus e em um pequeno grupo de pacientes que sofreram AVC isquêmico agudo. A proposta é induzir um estado semelhante à hipotermia terapêutica, que reduz a temperatura corporal para desacelerar o metabolismo e diminuir o consumo de energia pelas células.
Os resultados mostraram que a combinação dos medicamentos não apenas reduziu a temperatura corporal dos animais, mas também diminuiu o consumo de oxigênio e o gasto energético, indicando que o organismo entrou em um estado metabólico mais lento. Nos testes realizados, o tratamento foi associado a uma menor lesão do tecido cerebral após o AVC.
Os pesquisadores também observaram uma redução no acúmulo de lactato, uma substância que se eleva quando as células enfrentam falta de oxigênio e está relacionada à morte celular. Além disso, houve diminuição na utilização de glicose pelo cérebro e pela gordura marrom, um tecido especializado na produção de calor. Esses achados reforçam a hipótese de que a proteção observada está ligada à desaceleração do metabolismo.