A Polícia Federal (PF) realizou nesta sexta-feira uma operação que teve como alvo o ex-governador Cláudio Castro. A ação, denominada Operação Sem Refino, está inserida em uma nova fase da ADPF das Favelas, que reformulou as diretrizes para a atuação das forças de segurança no Rio de Janeiro. Essa mudança intensificou a pressão sobre facções criminosas e suas possíveis ligações com agentes públicos.
Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a operação resultou em buscas no condomínio onde Castro reside, na Barra da Tijuca, e no bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros de investigados do setor de combustíveis. A PF investiga suspeitas de ocultação patrimonial, evasão de recursos ao exterior, fraudes fiscais e a atuação de organizações criminosas que influenciam estruturas econômicas no estado.
Nos últimos meses, o STF implementou um conjunto de medidas que aumentaram o controle sobre operações policiais no Rio, ao mesmo tempo em que fortaleceram a atuação federal contra facções. Entre as determinações estão a criação de um núcleo permanente da PF dedicado à inteligência sobre organizações criminosas com atuação interestadual e internacional, além de priorização máxima da Receita Federal e do Coaf em investigações financeiras relacionadas a essas facções.
Essas decisões surgiram após um longo debate sobre a violência policial e o crescimento do poder econômico das facções cariocas, especialmente após uma megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, considerada uma das mais letais da história recente do Rio. O STF passou a estabelecer protocolos obrigatórios para ações policiais que resultem em morte, incluindo a preservação da cena do crime e comunicação imediata ao Ministério Público.
A Operação Sem Refino, portanto, emerge nesse contexto de endurecimento das regras sobre o uso da força e ampliação do foco em lavagem de dinheiro e financiamento do crime organizado. De acordo com os investigadores, o grupo alvo da operação utilizava estruturas empresariais e financeiras para movimentar patrimônio e ocultar recursos no mercado de combustíveis. A investigação também envolve o empresário Ricardo Magro, controlador da Refit, que está na Difusão Vermelha da Interpol por ordem judicial.
Fonte: Metropoles