A recente ação da Polícia Federal contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, agrava a situação das articulações do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República. A operação, realizada nesta terça-feira, investiga transferências de R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência para o Banco Master e fundos associados.
A pré-candidatura de Castro ao Senado, que já enfrentava dificuldades desde sua renúncia ao Palácio Guanabara em março, é considerada por aliados como cada vez mais ameaçada. O receio é que a situação atual contamine a campanha de Flávio e de seu aliado, o deputado Douglas Ruas, presidente da Alerj.
O Rio de Janeiro é um estado estratégico na disputa eleitoral, sendo a base da família Bolsonaro, onde Jair Bolsonaro obteve vitórias em 2018 e 2022. As suspeitas sobre os investimentos do Rioprevidência são conhecidas há meses e, para alguns setores do PL, já eram esperadas no lançamento da pré-candidatura de Castro.
A situação se torna mais complexa com a possibilidade de diálogos entre Castro e Vorcaro, que estão sob investigação da PF, podendo ser relacionados a áudios de Flávio, o que aumentaria o desgaste sobre sua pré-candidatura.
A dinâmica política mudou em relação à semana passada, quando alguns membros do PL defendiam uma postura mais calma em relação a Castro. A proximidade do ex-governador com prefeitos e um aumento temporário em sua popularidade após a Operação Contenção foram fatores que geraram otimismo entre seus apoiadores.
Entretanto, a presença de Castro na campanha pode dificultar a ascensão de Douglas Ruas, que ainda é pouco conhecido entre os eleitores. A associação entre Ruas e Castro tem sido um ponto central na pré-campanha do ex-prefeito Eduardo Paes.
As dificuldades enfrentadas pelo palanque bolsonarista no Rio começaram no ano passado, com a prisão do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, que havia se consolidado como pré-candidato ao governo. A condenação de Castro à inelegibilidade pelo TSE, devido a contratações irregulares, também contribuiu para o vácuo de poder na região.
A ascensão do desembargador Ricardo Couto ao Palácio Guanabara, após a renúncia de Castro e a prisão de Bacellar, resultou em uma investigação das contas da gestão anterior, criando um novo foco de desgaste para o PL. Couto, por sua vez, afirma que sua condução do Executivo é pautada pela neutralidade política.