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Número de execuções globais atinge recorde em 2025

O número de execuções em todo o mundo atingiu seu nível mais alto em mais de quatro décadas em 2025, impulsionado principalmente por um forte aumento no Irã, afirmou nesta segunda-feira (18/05) a Anistia Internacional.....
Foto: Protestos no Irã

O número de execuções em todo o mundo atingiu seu nível mais alto em mais de quatro décadas em 2025, impulsionado principalmente por um forte aumento no Irã, afirmou nesta segunda-feira (18/05) a Anistia Internacional. Ao menos 2.707 pessoas foram executadas em todo o mundo, após terem sido condenadas à morte, de acordo com o relatório anual do grupo de direitos humanos. Isso representa um aumento de 78% em relação a 2024 e é o maior número registrado pela Anistia desde 1981, quando 3.191 execuções foram contabilizadas. O total não inclui dados sobre a China, que, segundo a Anistia, executou milhares de pessoas, o que faz do país o líder em execuções. O país asiático se recusa a divulgar esses números. O sigilo do Estado chinês em relação a esse tipo de punição

aponta para um uso intencional da pena de morte para enviar a mensagem de que o Estado não vai tolerar ameaças à segurança pública ou à estabilidade — afirmou a Anistia. A Anistia atribuiu o aumento global a um número reduzido de governos determinados a governar pelo medo, em especial a China, o Irã, a Coreia do Norte, a Arábia Saudita, o Iêmen, o Kuwait, Singapura e os Estados Unidos. Segundo a ONG, essa minoria "está instrumentalizando a pena de morte para incutir medo, esmagar a dissidência e demonstrar a força que as instituições estatais exercem sobre pessoas em situação de vulnerabilidade e comunidades marginalizadas". Em especial o aumento "estarrecedor" no número de execuções registradas no Irã ocorre num momento em que as autoridades "intensificam o uso da pena de morte como ferramenta de repressão e controle político", sobretudo após a guerra contra Israel, em junho de 2025. Principais dados do relatório A Anistia reúne informações de dados oficiais, decisões judiciais, informações de famílias e representantes de condenados à morte, reportagens na imprensa e de outras organizações da sociedade civil. Em 2025 foram computadas pela ONG 2.707 execuções em todo o mundo, excluindo a China. Destas, houve 2.159 execuções somente no Irã. A Anistia afirmou que 54 países ainda têm a pena de morte, que em 2025 foram registradas 2.334 novas sentenças de pena de morte, que 25.508 pessoas estavam sob sentença de morte no fim do ano passado, e que apenas 17 países realizaram execuções em 2025. Decapitação, enforcamento, injeção letal, fuzilamento e asfixia por gás nitrogênio foram usados como métodos de execução em 2025. Muitos países não publicam dados sobre a pena de morte. Portanto, para um número significativo de países, os números da Anistia Internacional sobre o uso da pena de morte representam o mínimo registrado. Os números reais totais provavelmente são mais altos, segundo a ONG humanitária. A Anistia conseguiu confirmar que execuções foram realizadas na Coreia do Norte e no Vietnã, mas não havia informações suficientes para fornecer números mínimos confiáveis. Irã é líder em números oficiais O Irã foi responsável pela grande maioria das execuções, com ao menos 2.159 realizadas, ou cerca de 80% do total global. O número mais do que dobrou em comparação ao ano anterior e marcou o nível mais alto de execuções no país em décadas. "As autoridades iranianas continuaram usando a pena de morte como arma, muitas vezes após julgamentos profundamente injustos, para incutir medo na população e punir aqueles que desafiaram, ou são percebidos como tendo desafiado, o establishment da República Islâmica do Irã", afirmou a Anistia. A Arábia Saudita também registrou um aumento notável, realizando ao menos 356 execuções, muitas relacionadas a crimes ligados a drogas, e superando seu recorde anterior de ao menos 345, em 2024, segundo o relatório. EUA são único país no continente americano De acordo com o relatório da Anistia, os Estados Unidos registraram seu maior número de execuções desde 2009, com 47 pessoas mortas. Somente a Flórida, com 19, foi responsável por quase metade dessas execuções, segundo a organização. Os Estados Unidos são o único país do continente americano a ter realizado execuções em 2025. O número de pessoas no corredor da morte nos EUA caiu abaixo de 2 mil pela primeira vez desde que a Anistia começou a coletar esses dados, impulsionado por comutações de pena e mortes naturais. Sinais de progresso rumo à abolição Apesar dos números alarmantes, a Anistia destacou sinais de progresso rumo à abolição da pena de morte. Até o final de 2025, 113 países haviam abolido completamente esse tipo de punição, em comparação com apenas 16 em 1977. As reformas durante o ano incluíram a abolição da pena capital para vários tipos de crimes no Vietnã e iniciativas legislativas em países como Gâmbia, Libéria e Nigéria para restringir ou eliminar ainda mais seu uso. Tribunais e governos em alguns países também agiram para bloquear tentativas de expandir a pena de morte. No Quirguistão, o tribunal constitucional decidiu que a reintrodução da pena de morte violaria a Constituição, enquanto o Zimbábue comutou todas as sentenças de morte existentes. "Apenas sistemas de justiça que sejam humanos e baseados em direitos podem realmente promover justiça. Espero que em breve vejamos um reconhecimento universal, refletido em lei, de que a forma de proteger as sociedades não é por meio de execuções, mas por meio de instituições fortes e responsabilização", disse o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.

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