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MPF e PF investigam denúncias de violência contra indígenas em Mato Grosso do Sul

MPF e PF investigam denúncias de violência contra indígenas em Mato Grosso do Sul após eleições.
MPF e PF investigam denúncias de violência contra indígenas em Mato Grosso do Sul
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

Indígenas do Mato Grosso do Sul continuam a relatar um aumento nas ameaças e na violência contra suas comunidades após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) informou que a casa da rezadeira de 90 anos, Ñandesy Roberta, foi incendiada na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, na manhã de quinta-feira (29).

A organização indígena classificou o incêndio como criminoso, destacando que além da residência da idosa, instrumentos sagrados usados em rituais tradicionais do povo Kaiowá e Guarani foram destruídos, o que representa uma grave violação dos direitos indígenas e da liberdade religiosa.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais nesta sexta-feira (30), Voninho Guarani Kaiowá, coordenador da Apib, afirmou que os ataques e ameaças contra as comunidades guarani kaiowá aumentaram nos últimos dias.

Repudiamos todos estes acontecimentos e cobramos de todas as autoridades [públicas] competentes que nos ajudem investigando as pessoas, para que os responsáveis sejam punidos na forma da lei — declarou Voninho.

A Apib já contabilizou mais de 30 casos de violência contra povos indígenas em Mato Grosso do Sul, relacionados ao processo eleitoral deste ano.

Esses casos incluem ataques, ameaças e atropelamentos que resultaram em mortes, sendo um deles registrado em Tacuru, na noite de domingo (25).

Após a divulgação do resultado do segundo turno, mensagens de áudio circularam nas redes sociais atribuindo ao voto indígena a vitória do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Um áudio, atribuído a um homem não identificado, sugere envenenar a água que abastece uma aldeia indígena, o que gerou repercussão negativa.

O prefeito Rogério Torquetti (PSDB) confirmou que o autor da mensagem é um servidor público municipal e, em um vídeo, minimizou a situação, afirmando que o servidor não mencionou os indígenas.

O prefeito também informou que o servidor foi afastado temporariamente e um processo administrativo disciplinar foi instaurado para investigar sua conduta.

Outro áudio de um segundo servidor municipal ofende os indígenas e faz ameaças a um suposto interlocutor, que ele chama de Índio.

O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) instaurou procedimentos para apurar as denúncias encaminhadas pela Apib e garantir a proteção dos territórios indígenas.

O MPF descartou a existência de crimes em pelo menos um dos casos apurados, considerando denúncias de homicídios em Naviraí como boatos.

No caso de Tacuru, o MPF estabeleceu um prazo de 48 horas para que a prefeitura forneça informações sobre a atuação dos servidores municipais.

O Ministério dos Povos Indígenas e a Funai acionaram a Polícia Federal (PF) para acompanhar as denúncias de violência e ameaça contra os Guarani Kaiowá.

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial para receber as denúncias de ataques e ameaças.

Fonte: Notícias ao Minuto Brasil

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