A três semanas de uma eleição que pode mudar o cenário político na Hungria, Viktor Orbán enfrenta acusações de que seu ministro de Relações Exteriores, Péter Szijjártó, tem desviado informações da União Europeia para a Rússia. A denúncia foi publicada pelo jornal americano The Washington Post, em um momento crítico nas relações entre Budapeste e Bruxelas.
Szijjártó tem fornecido informações ao seu homólogo russo, Sergei Lavrov, extraídas de reuniões do Conselho Europeu. Um membro não identificado de um serviço de inteligência afirmou que o ministro mantinha contato frequente, ligando para Lavrov até mesmo durante os intervalos dos encontros que envolvem representantes dos 27 países-membros da UE.
A relação de Budapeste com Moscou não é nova. Registros oficiais indicam que Szijjártó visitou a Rússia 16 vezes desde a invasão da Ucrânia em 2022, incluindo um encontro com Vladimir Putin em março. Após a publicação da reportagem, o ministro reagiu no X, afirmando que se tratava de 'fake news' e acusando a oposição de tentar criar um 'governo fantoche pró-guerra' na Hungria.
Pesquisas recentes mostram que o partido de oposição, liderado por Péter Magyar, tem 48% de apoio, enquanto o Fidesz, de Orbán, possui 39%. O primeiro-ministro, no poder desde 2010, é frequentemente criticado por sua postura autoritária e por conflitos com líderes da UE.
Na semana passada, Orbán utilizou seu poder de veto para bloquear um empréstimo de € 90 bilhões à Ucrânia, transformando a situação em uma questão de segurança nacional. A campanha eleitoral tem visto ataques a figuras como o presidente ucraniano e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, comentou sobre as acusações, afirmando que já suspeitava da situação. Enquanto isso, Orbán recebe apoio de figuras como Donald Trump e Mark Rubio, que destacam a importância de seu governo para os interesses americanos.
As pesquisas mostram que Orbán enfrenta dificuldades, principalmente devido a questões econômicas. A oposição, liderada por Magyar, tem explorado a corrupção associada ao governo, enquanto a influência russa nas eleições húngaras é cada vez mais evidente.
O serviço secreto russo, conhecido por interferir em eleições europeias, estaria agora trabalhando para garantir a permanência de Orbán no poder. O Post relata que o SVR sugeriu 'encenar uma tentativa de assassinato' do primeiro-ministro, uma estratégia que poderia alterar o cenário eleitoral.
A assessoria de Orbán não respondeu ao pedido de comentário feito pelo jornal americano.