Os minerais críticos, incluindo terras raras, lítio, nióbio e grafite, emergiram como ativos estratégicos na economia global. Esses recursos são essenciais para a fabricação de tecnologias que garantem a segurança nacional no século 21, tornando-se foco de reuniões diplomáticas e disputas comerciais entre China, Estados Unidos e Brasil.
Em 7 de maio de 2026, durante uma reunião entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, os EUA buscavam alternativas para reduzir a dependência mineral da China, enquanto o Brasil tentava atrair investimentos e aumentar seu papel geopolítico. Uma semana depois, em uma visita de Trump a Pequim, os minerais críticos voltaram a ser tema central nas negociações entre as duas potências.
Especialistas afirmam que, embora esses minerais aproximem economicamente os países pela necessidade de cooperação, também intensificam tensões diplomáticas e comerciais, envolvendo não apenas a mineração, mas também o domínio tecnológico e o controle das cadeias globais de suprimento.
O Verdadeiro Poder Não Está Apenas Em Ter A Reserva
O verdadeiro poder não está apenas em ter a reserva. Está em controlar a cadeia, agregar tecnologia e negociar estrategicamente.
O Brasil possui reservas significativas de minerais críticos, mas ainda processa pouco. A China, por sua vez, domina o processamento global e utiliza as terras raras como ferramenta de política externa. Os Estados Unidos, dependentes do refino chinês, buscam diversificar suas cadeias de fornecimento e veem o Brasil como um parceiro estratégico fora da influência de Pequim.
A liderança da China no processamento de minerais estratégicos é uma preocupação para os EUA e países europeus. A Agência Internacional de Energia (IEA) destaca que a China possui uma participação dominante nesse setor. A disputa se intensificou em abril de 2025, quando Pequim impôs licenças de exportação para terras raras, afetando diversas indústrias nos EUA.
Após conversas entre Trump e Xi Jinping, a China concedeu licenças temporárias para alguns pedidos norte-americanos. Em janeiro de 2026, representantes do G7 e de outros países se reuniram em Washington para discutir parcerias minerais e estratégias para reduzir a dependência do processamento chinês.
Durante a visita de Trump a Pequim, os minerais críticos foram novamente destacados nas negociações, com os EUA buscando garantir acesso contínuo a esses recursos, enquanto a China tentava aliviar restrições sobre tecnologias sensíveis.
O Brasil, com cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras, está no centro dessa disputa. O país combina reservas relevantes com uma matriz energética limpa e estabilidade institucional, o que o torna um parceiro atraente para ambas as potências.
Recentemente, a Câmara dos Deputados do Brasil aprovou um projeto para regulamentar a exploração de minerais estratégicos, que ainda precisa passar pelo Senado. Lula afirmou que o Brasil não tem preferência por parceiros e está aberto a colaborações com empresas de diferentes países.
Daniel Toledo, especialista em direito internacional, sugere que o Brasil deve buscar um equilíbrio nas negociações, definindo contrapartidas como transferência de tecnologia e instalação de plantas industriais.
O especialista Daniel Ângelo Luiz da Silva observa que, embora os minerais raros promovam interdependência econômica, também geram atritos relacionados à soberania e à redução de dependências externas, colocando Brasil, China e EUA em uma disputa estratégica global.