Maria da Soledade Leite, nascida em 1942 em Alagoa Grande (PB), é uma das maiores representantes femininas da viola, desafiando as normas de um ambiente predominantemente masculino.
O livro
Maria da Soledade: versos, voz e memória
, escrito pela jornalista Janaína Araújo, busca aprofundar a trajetória de força da poeta do repente paraibano. O lançamento ocorrerá amanhã, às 19h, no Teatro Santa Ignez, em Alagoa Grande, e em João Pessoa no dia 10 de dezembro.
A aproximação entre a pesquisadora e a cantadora teve início em 2015, durante uma cantoria. O reencontro se deu no ano passado, durante a celebração do centenário de Elizabeth Teixeira, onde surgiu a ideia de escrever o livro.
O projeto foi inscrito no edital do ICMS Cultural, com apoio da Associação dos Artistas, e contou com a participação de uma arquivista e do fotógrafo Adriano Franco.
A pesquisa para a obra durou cerca de um ano, durante o qual Janaína acompanhou Soledade em locais significativos de sua vida, resultando em 12 capítulos que abordam momentos marcantes da trajetória da repentista.
A narrativa incorpora versos e trechos de cantorias, com Soledade frequentemente interrompendo suas histórias para cantar. O livro também possui um caráter documental, incluindo fotografias, recortes de jornais e documentos pessoais.
Maria da Soledade, amiga de Margarida Maria Alves, enfrentou preconceitos ao se afirmar como violeira em um ambiente hostil à presença feminina. Ela recorda as dificuldades que enfrentou por ser mulher e artista.
O livro também destaca a influência de Maria da Penha Nascimento, que a incentivou a participar de movimentos sociais, transformando sua cantoria em uma forma de expressão política.
Soledade, filiada ao PT, enfatizou a cor vermelha na capa de seu livro, simbolizando sua identidade política e compromisso com as lutas sociais.
Fonte: A União