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Lula Domina Debate Digital em Noite de Debate na Globo

Pode gostar de Lula. Pode não gostar. Pode votar nele ou passar longe do 13 no domingo. Mas existe uma dimensão de Luiz Inácio Lula da Silva que talvez seja impossível ignorar depois de mais uma campanha presidencial:.....
Foto: Polêmica Paraíba

Pode gostar de Lula. Pode não gostar. Pode votar nele ou passar longe do 13 no domingo. Mas existe uma dimensão de Luiz Inácio Lula da Silva que talvez seja impossível ignorar depois de mais uma campanha presidencial: sua capacidade de ocupar o centro da política brasileira.

E a noite desta quinta-feira (1º) foi mais uma demonstração disso.

O roteiro, inicialmente, parecia ruim para Lula.

Ele decidiu não participar do último debate da Globo antes do primeiro turno e imediatamente virou alvo dos adversários. Flávio Bolsonaro confirmou presença, atacou Lula pela ausência e sua campanha enxergava no púlpito vazio do presidente uma oportunidade política.

Só que a noite virou.

Horas antes do programa, o TSE decidiu que a Globo não poderia manter um púlpito vazio com o nome de Lula nem permitir perguntas direcionadas ao candidato ausente. Paralelamente, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão de Renan Santos no debate. Pouco depois, Flávio Bolsonaro anunciou que também não iria, atribuindo sua decisão ao que chamou de “censura” do TSE. A Globo acabou cancelando o encontro, alegando que as decisões judiciais alteraram as regras previamente acertadas e provocaram insegurança jurídica.

E foi aí que aconteceu algo curioso.

A noite que estava preparada para ser do último grande debate da maior emissora de televisão do país acabou tendo como principal acontecimento político digital uma entrevista de quase duas horas.

Lula sentou no Flow e falou.

Falou de economia, bets, endividamento das famílias, Banco Master, Supremo Tribunal Federal, minerais críticos, tecnologia, política internacional e da própria eleição. Explicou também por que não quis participar do debate da Globo: na visão dele, debates com cinco ou seis candidatos acabam se transformando numa disputa por “lacração”, com pouco tempo para aprofundar qualquer assunto.

Pode-se concordar ou discordar das respostas. E é importante registrar que nem tudo que Lula disse passou pela checagem sem problemas: a Agência Lupa identificou declarações verdadeiras, mas também erros, inclusive em dados usados pelo presidente durante a entrevista.

Mas há outra coisa que os números mostram objetivamente: as pessoas pararam para ouvi-lo.

A entrevista chegou a aproximadamente 1,65 milhão de espectadores simultâneos somente no canal do Flow, quebrando o recorde anterior do podcast, que também pertencia a Lula, com 1,087 milhão em 2022. O acompanhamento do Notícias da TV calculou uma média próxima de 1,5 milhão de pessoas simultâneas durante a conversa.

Às 22h40, um retrato daquele momento mostrava 1.640.193 pessoas no Flow e outras 153.683 acompanhando a retransmissão no canal de Lula. Somadas, eram aproximadamente 1,79 milhão de pessoas simultaneamente ligadas à entrevista.

Flávio Bolsonaro também abriu uma live.

E aqui cabe corrigir um número que circulou durante a noite: ele chegou a aparecer com pouco mais de 150 mil espectadores no início, mas esse não foi seu pico. A transmissão cresceu e alcançou cerca de 900 mil simultâneos perto do final. Às 22h40, quando Lula tinha 1,64 milhão somente no Flow, Flávio reunia aproximadamente 534 mil.

São números gigantes para os dois lados e que dizem muito sobre como uma campanha presidencial é feita em 2026.

Mas o episódio de Lula tem uma simbologia particular.

Aos 80 anos, depois de décadas no centro da vida pública, ele conseguiu transformar uma entrevista em podcast em um acontecimento político de audiência milionária justamente na noite reservada ao mais tradicional debate da televisão brasileira.

É difícil olhar para uma trajetória que atravessa redemocratização, oito eleições presidenciais, três mandatos no Palácio do Planalto e quase meio século de protagonismo nacional sem reconhecer sua dimensão histórica.

Isso não significa concordar com Lula. Não significa absolver seus erros. Muito menos significa que toda afirmação feita por ele naquela entrevista seja incontestável.

Significa reconhecer o tamanho político do personagem.

Talvez tenha sido essa a principal imagem da noite.

Enquanto se discutia quem iria ou não iria ao estúdio da Globo, Lula estava sentado diante de um microfone falando para mais de um milhão e meio de pessoas simultaneamente.

E, por quase duas horas, conseguiu fazer aquilo que poucos políticos brasileiros ainda conseguem fazer: transformar a própria presença em acontecimento.

Gostem ou não dele, concordem ou não com ele, Lula continua sendo um dos personagens centrais da história política brasileira.

A quinta-feira apenas lembrou isso mais uma vez.

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