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Lula detalha estratégia de aproximação com Trump

Em entrevista ao Washington Post, Lula discute sua relação com Trump, enfatizando a necessidade de respeito e a busca por diálogo, apesar das divergências políticas.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

Em sua primeira entrevista após o encontro com Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva descreveu sua abordagem em relação ao líder americano como intencional e pragmática, afastando interpretações de submissão.

Durante a conversa, Lula recordou que a reunião na Casa Branca começou com Trump mostrando a galeria de retratos presidenciais. Em tom de brincadeira, Lula questionou se Trump não sabia sorrir, ao que o americano respondeu que os eleitores preferem líderes sérios. Lula retrucou: 'Agora que você está governando, pode sorrir um pouco. A vida fica mais leve quando a gente sorri.'

Lula expressou sua lógica de aproximação: 'Se consegui fazer Trump rir, posso conseguir outras coisas também. Você não pode simplesmente desistir.'

O presidente brasileiro deixou claro suas discordâncias com Trump, como sua oposição à guerra com o Irã e à intervenção na Venezuela, além de condenar a situação na Palestina. No entanto, enfatizou que essas divergências não afetam sua relação como chefe de Estado, buscando respeito mútuo.

Lula atribui a crise do ano passado à falta de respeito, quando Trump impôs tarifas e sanções ao Brasil. Ele destacou a importância de manter o diálogo, seguindo um ensinamento de sua mãe: 'Quem abaixa a cabeça pode não conseguir mais erguê-la.'

Desde o encontro, os dois se reuniram novamente na Assembleia-Geral da ONU e mantiveram contato telefônico. Lula observou que Trump amenizou tarifas e passou a elogiar sua liderança, o que, segundo pesquisa, foi visto como positivo por 60% dos brasileiros.

Na reunião, Lula entregou a Trump um acordo nuclear de 2010 com o Irã, buscando desmentir a ideia de que o país estaria tentando desenvolver armas nucleares. Embora Trump tenha se mostrado receptivo, não houve avanços concretos.

Lula também abordou a situação de Cuba, pedindo a Trump que levantasse o bloqueio econômico e destacando a disposição do regime cubano para o diálogo. Ele acredita que, se os EUA abrirem uma mesa de negociação, Cuba participará.

Sobre a América Latina, Lula alertou para a crescente influência da China na região, afirmando que seu comércio com o país asiático é atualmente duas vezes maior do que com os Estados Unidos. Ele enfatizou que, para os EUA se destacarem, é necessário que demonstrem interesse genuíno.

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