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Estudo revela impacto da solidão na mortalidade de pacientes com câncer

Um estudo publicado no British Medical Journal indica que a solidão e o isolamento social aumentam o risco de morte em pacientes com câncer, com um aumento de 34% na mortalidade geral.
Foto: Metropoles

A solidão e o isolamento social têm um impacto significativo na mortalidade de pacientes com câncer, conforme aponta um artigo publicado no British Medical Journal. A pesquisa, que incluiu uma revisão sistemática e metanálise de 16 estudos, revelou um aumento de 34% no risco de morte em geral e de 11% na mortalidade relacionada ao câncer entre aqueles que se sentem solitários ou socialmente isolados.

Os dados indicam que entre 16% e 47% dos pacientes oncológicos relatam sentimentos de solidão. Os pesquisadores destacam que a solidão, entendida como a percepção de desconexão social, e o isolamento, caracterizado pela falta de relacionamentos, podem afetar a saúde de diversas maneiras. A sensação de estar sozinho pode elevar os níveis de estresse, prejudicando o sistema imunológico, enquanto a ausência de suporte pode dificultar a adesão ao tratamento e a identificação precoce de complicações.

Além disso, a própria condição da doença pode contribuir para o isolamento, uma vez que efeitos colaterais do tratamento, como fadiga e mal-estar, limitam a participação em atividades sociais. A oncologista Ludmila Koch, do Einstein Hospital Israelita, ressalta que a prática oncológica tradicional frequentemente ignora aspectos sociais, como a presença de um cuidador confiável ou suporte emocional, que são cruciais para o bem-estar do paciente.

Esse problema é ainda mais acentuado em pacientes idosos, aqueles em tratamento oral, em cuidados paliativos ou em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Para mitigar o isolamento, os especialistas sugerem intervenções como o envolvimento precoce do serviço social, grupos de suporte e telemonitoramento estruturado.

Embora a oncologia moderna se baseie em medicina de precisão, o artigo enfatiza que o câncer não ocorre em um vácuo biológico, mas em um contexto social. No entanto, os resultados devem ser interpretados com cautela, pois se baseiam em estudos observacionais. Ludmila Koch observa que, embora o impacto seja estatisticamente significativo, não se pode afirmar uma relação de causa e efeito, já que pacientes com câncer mais avançado podem se sentir mais solitários e ter um risco maior de morte.

Os autores do estudo recomendam a realização de mais pesquisas para aprofundar a compreensão dessa associação.

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